30 de mar de 2016

F1 2016: Think before you make rules

“Think before you drive” – diz a carranca de Bernie Ecclestone espalhada por todos os circuitos onde corre (corre?) a F1 moderna.
O velho Bernie, que fez da F1 o que ela é em termos de espetáculo e importância se refere ao que vão dizer os pilotos nas entrevistas, ou mais profundamente pensando, para o motorista comum ser mais prudente nas ruas. Tudo depende do ponto de vista.
Mas pensar – mesmo – parece que não tem sido o forte da rapaziada que comanda o espetáculo.
Depois da pixotada que foi a primeira classificação do ano, o mínimo que se esperava é que o maldito sistema de “dança das cadeiras” fosse defenestrado de vez.
Não foi...
Estuda-se a possibilidade de implementar a patacoada mesclada ao sistema antigo, ou quem sabe dar um garibada nele com regras que obriguem os motoristas a irem às tomadas de tempo.
Artificialidade é o nome do jogo.
A pilotaiada já fez sua declaração através da GPDA dizendo que quer exercer de forma mais incisiva a sua voz na categoria.
Já não era sem tempo: pilotos fazem o espetáculo e não hotéis que mudam de cor.
Charlie Whitting respondeu que os pilotos não precisam de outro “palco” para apresentar suas opiniões, que eles já são suficientemente ouvidos.
Não parece... E não parece porque não são.
Aparentemente vem por ai uma queda de braços e tomara que seja das grandes.

Um aparte pessoal: não acredito que a corrida rumo ao oriente engendrada por Ecclestone e seus asseclas (cada vez mais corridas em lugares endinheirados e sem nenhuma tradição) seja “apenas” por mais dinheiro. Deve ter algo a mais nisto tudo.
A declaração do velho Bernie de que a F1 não precisa de um GP na Itália é um indicio.
A F1 pode sim ficar sem corridas na Itália, Inglaterra, Alemanha e até mesmo Mônaco assim como está sem corridas na França há tanto tempo e sobreviver, mas quem iria dar importância?
Estas atitudes do chefão da bagaça faz lembrar aquele episodio de Everybody Hates Chris em que Rochelle diz para o Chris: “-Eu te trouxe para este mundo e posso muito bem te tirar dele.”.
Limar a Itália do calendário seria, definitivamente, o começo do fim.

28 de mar de 2016

Pequenas tragédias humanas (3)

Dona Gabriela já era uma respeitável avó quando ocorreu o caso.
Moradora de Mauá, região do ABC Paulista, ia diversas vezes no ano até bairro do Brás para comprar roupas com uma das filhas e seus netos, Dona Gabriela não era muito de ter compaixão com o que via dentro dos trens da – hoje CPTM – RFFSA.
E creia, havia de tudo: crianças vendendo doces, adultos vendendo jornais (Noticias Populares e Diário Popular – hoje Diário de S. Paulo- escorriam sangue pelos vagões), mendigos com pernas cobertas com ataduras putrefatas, camelôs de todas as espécies de produtos, incluindo um que chegava ao vagão e antes de apregoar seu produto lia o horóscopo em voz alta além, claro, dos populares “ceguinhos do trem”.
Era incrível como nos meados dos anos 80 havia cegos nos trens paulistas.
Às vezes entravam dois ou três diferentes em uma viagem de Mauá até a Estação da Luz.
E numa destas viagens um deles entrou na estação do Ipiranga e calhou de Dona Gabriela estar sentada em um dos bancos do vagão que estava cheio. Não lotado, mas cheio.
Ao vê-lo passar com sua cantilena clássica (“-Ajude o ceguinho pelamordedeus!”) aconteceu o inesperado: Dona Gabriela se apiedou e sacou uma nota de cem cruzeiros de sua carteira e colocou em seu chapéu tocando-lhe de leve as costas para avisar que havia feito uma doação.
O homem sorriu e virou o rosto para o outro lado continuando a pedir.
Porém percebendo que havia dado uma nota maior do que queria realmente oferecer, Dona Gabriela num gesto rápido tirou de volta a nota de cem do chapéu e colocou uma de dez sem que o homem percebesse e se sentiu confortável ao olhá-lo seguir seu caminho.
Até que ao sair da estação Mooca alguém tropeçou no cego:
-Ô amigo, não olha por onde anda? – disse o cego.
-Desculpe, foi o balanço do trem.
-Sei... Tá querendo meu roubar?
-Não, não... Foi absolutamente sem intenção, desculpe.
Foi ai que cometeu o ato falho.
-Sem intenção? Então cadê a nota de cem que tava aqui agora há pouco?

Na estação do Brás, um jovem e sua mãe esperavam a chegada da avó no vagão marcado quando ao abrir as portas da recém-chegada composição uma cena no mínimo inusitada se apresenta.
Aplicando uma gravata no pescoço e quase montada nas costas de um cidadão com óculos escuros e bengala na mão, Dona Gabriela exigia em altos brados que lhe devolvesse o dinheiro dado e com a mão que estava livre batia na cabeça do indivíduo com um guarda chuva de cabo de madeira bem antigo (e por consequência pesado).
Os agentes da estação trataram de grampear o falso cego e não viram maior problema em liberar a senhorinha que já estava de posse de seus dez cruzeiros quando chegaram.
Nunca mais vi minha avó fazendo uma caridade sequer depois disto...

25 de mar de 2016

Groo recomenda: American Recordings, de Johnny Cash

Quem me acompanha nas redes sociais (só facebook e twiter que eu sou preguiçoso pra aprender a usar outras, e claro, como nem o Google está no Google + porque eu estaria?) já deve ter se deparado com um ou outro post em que fico indignado com os novos shows de calouros da TV mundial.
Mundial sim... Até porque os daqui são cópias vagabundas e rareadas dos de fora.
Nestes programas os cantores todos se assemelham entre si e com as coisas que os supostamente influenciam.
Logo, ao se fechar os olhos é possível visualizar o cantor original das canções que eles escolhem sem fazer muito esforço.
Quando muito, tentam enfiar uma pegada R&B onde não tem e por vezes nem cabe.
Colocando técnica e gritos onde deveria haver apenas delicadeza e emoção.
Pior, quando pegam números consagrados e desandam a fazer malabarismos ou afetam algum tipo de modernidade irritante.
E ainda somos obrigados a ler “expezialistas” dizer que aquilo foi incrível.
Dói no saco.

Traduzindo em mudos: cover só se for homenagem pontual ou como fez Johnny Cash quando supervisionado por Rick Rubin (o bruxo da produção de rap e hard rock nos anos 90) emendou uma sequencia de discos com suas visões pessoais de canções alheias.
Não dá para chamar de cover os trabalhos feitos na série American Recordings/1994; II Unchained/1996; III Solitaire Man/2000; IV The Man Comes Around/2002; V A Hundred Higways/2006; IV Ain´t no Grave/2010.
É bem verdade que nem tudo são versões, mas as que são soam poderosas. Mesmo mantendo um resquício da original, Cash imprime sua assinatura nas músicas de forma indelével.
Johnny Cash canta o que enxerga nas canções, como se as visse por dentro e trouxesse à tona uma beleza escondida (diferente da beleza que as canções já têm, sem desmerecer nenhuma original). Canta como se fossem suas canções, feitas para ele e para sua voz já maltratada pelo tempo e pela vida.
Se não se emocionar com esta série, acredite: nada mais é capaz de tocar seu coração.



Personal Jesus é uma música original da banda Depache Mode (nada pode ser mais diferente do Johnny Cash que isto), para quem quiser ouvir o original clique aqui: Depache Mode

23 de mar de 2016

F1 2016: para se prestar atenção

Este espaço nunca foi de ficar esperançoso com equipes novatas.
Quando de uma vez só vieram para a pista as três equipes mais fundo de grid já vistas, o pacote foi tachado de F1 da pouca grana.
HRT/Hispania, Virgin e Lotus Malaia eram umas vergonhas sem fim corrida após corrida.
HRT chegou a ser considerada perigosa pelos outros pilotos de tão lenta.
E é bom confessar que a principio também não levava muita fé no projeto Haas.
Talvez escaldado com o outro fiasco – USF1 – americano, mas aos poucos se começou a enxergar que por trás do ambicioso projeto estavam pessoas sérias já envolvidas em um alto grau com automobilismo. Ainda que fosse o automobilismo americano e suas corridas de taxistas manetas.

Eis que a Haas estreia e faz uma corrida consistente, com bons tempos de volta e consegue terminar com um de seus carros nos pontos. E num sexto lugar muito mais que honroso, diga-se.
Vale lembrar, que na tal “época de ouro” da F1 só se marcava pontos até a sexta colocação.
E pode-se arriscar-se a dizer que se não fosse o acidente entre Alonso e Esteban Gutierrez, o time americano terminaria com os dois pilotos nos pontos, ou na pior das hipóteses, muito perto disto.
E mais: desde o surgimento da Toyota, lá em 2002 - com Mika Salo também chegando em sexto - que um time vindo do nada não estreia tão bem.
Com a diferença que em 2002 apenas oito (de vinte e dois) carros terminaram a prova. Agora apenas seis (dos mesmos 22) abandonaram a corrida.

Se no ano passado a brincadeira era ver qual a profundidade do poço em que a McLaren chegaria, este ano a diversão aparenta ser outra bem mais saudável até: ver qual a altura em que a novata americana conseguirá dar seu salto.
Eu aposto que vai bem o ano todo...

21 de mar de 2016

F1 2016: Crônica do GP - Milagre (?) do Alonso

Tenho um amigo, o Luizão, que nasceu em S. Paulo, mas o pai dele, Sr. Ademir nasceu no Ceará.
É gente muito boa, o pai do meu amigo, só tem um defeito que depois eu conto.
Conversando com o Luizão o papo enveredou pela corrida australiana.
Abertura de temporada sempre chama a atenção de quem é minimamente interessado em F1 e como não poderia deixar de ser, ele puxou pelo assunto da capotagem espetacular do espanhol Fernando Alonso.
-Posso apostar... – disse ele – que foi o acidente mais espetacular depois daquele em que um piloto parecia bolinha de pimball.
Ele se referia ao acidente do braço duro Robert Kubica no Canadá em 2007.
-Dá para dizer que assim como o polonês, Alonso foi agraciado com um verdadeiro milagre – completou.
Foi ai que Sr. Ademir chegou à conversa.
“-Milagre? Cê é besta? Depois do acidente do Ayrton Senna tudo que esta F1 fez foi correr atrás de segurança. Ano após ano, sacrificando pista, emoção, regras... E você vem falar de milagre?” – disse o velho e completou – “-Se este cara de ontem tá vivo e aquele outro que vocês falaram ai também está não é milagre, foi trabalho duro e muita pesquisa que começou quando o Ayrton morreu.”.
Foi a primeira vez em muitos anos que dei razão a alguém que usou o acidente e morte do Senna para justificar algo na F1.
E disse isto a ele que sorrindo bateu nas minhas costas com a mesma mão que estava coçando o saco.
Pronto, contei.



20 de mar de 2016

F1 2016: Austrália: um começo animador, um final repetido.

A F1 tem suas prioridades.
Nem sempre são as certas, claro... Mas tem.
Desta vez foi o seguinte: o sistema de classificação está uma porcaria.
A tal dança das cadeiras é um lixo sem tamanho e fez o primeiro Q3 do ano ser ridículo.
Pilotos, dirigentes, jornalistas especializados... Todos reclamaram. Até Bernie Ecclestone.
Então veio a mudança: Fica proibido aos pilotos descartar suas sobreviseiras na pista.
Claro... Vai que alguém esteja andando pela pista durante a corrida, pisa naquele treco escorrega e cai?
A arrogância e a teimosia em não ouvir os atores principais da brincadeira e até mesmo – quando não for idiotice romântica demais – o fã da categoria ainda vai acabar minando, secando por completo o interesse pelas corridas de F1.
Repito o que sempre digo: Corrida de carros é coisa muito simples. Uns imbecis constroem seus carros e dão nas mãos de outros imbecis para que estes vejam nas pistas qual é o mais rápido. Tudo que se inventar a mais é desnecessário. Preciosismo, Minimi...
“-Ah, mas ai quem tem mais dinheiro vai ganhar sempre.”. – diz um retardado.
Verdade... Seria bem diferente do que temos visto né?

Já a corrida, que no fundo é o que importa (classificação é detalhe às vezes) foi movimentada.
Já começou com a primeira zurrada dos cones da Mercedes perdendo as posições na primeira fila logo na largada.
Vettel e Kimi saltaram muito bem e tomaram a ponta.
E tudo seguiu muito bem, com ultrapassagens, brigas e belas imagens até Esteban Gutierrez calcular mal a freada para defender posição e receber a pancada de Fernando Alonso.
Com a suspensão quebrada, o espanhol bateu no muro e virou passageiro indo capotar duas vezes na área de escape cheia de brita.
sequência da capotagem do Alonso
E tem gente que ainda não entende o porquê de algumas pistas já tem abolido a caixa de brita.
Sobre o carro da McLaren pode-se dizer que não anda nada, mas amassa que é uma beleza e é seguro pacas.
Perguntinha: será que com o halo, Alonso teria saído com facilidade do que restou do carro?
Corrida parada. Bandeira Vermelha.

Na volta uma cena que não se pode dizer inusitada: uma Ferrari pegando fogo.
Se fosse um Porsche não aconteceria.
Tchau Kimi, estava fazendo uma prova bem boa.
Vettel seguia bem até ficar sem pneus.
A Ferrari deve ter contratado o estrategista da Williams.
Até dava para brigar pelo segundo lugar contra o cone44, mas... Não fosse o erro na estratégia dos pneus após a bandeira vermelha, Vettel levava esta.
Dobradinha da Mercedes, ainda que meio que caída no colo.

Destaque da corrida foi sem dúvida a estreia da Haas.
Envolvida no acidente mais impressionante da F1 nos últimos anos e marcando pontos na primeira corrida.
Contratar Grosjean e comprar um carregamento de Gardenal foram acertos sensacionais.
Um começo de campeonato animador, um final de corrida mais que esperado.

17 de mar de 2016

F1 2016: Vem Austrália, vem...

F1 2016 finalmente vai começar.
Ah, sim... Tivemos os treinos livres dias atrás, mas... E daí?
Servem para ver se o carro anda; mostrar patrocinador... Testar N coisas também, é verdade, mas para saber se o carro é realmente rápido e o quão bom está são coisas que simples mortais a olhos nus não conseguem ver.
Se eu consigo?
Talvez... Mas eu sou preguiçoso.

Aparentemente tudo como antes no quartel de Abrantes (que não sei quem foi e nem sei a origem da expressão).
Mercedes forte, rápida e confiável.
Ferrari como ambiciosa desafiante.
Red Bull como terceira força.
Williams eterna promessa (nos últimos anos, claro) e o resto são o resto.

A chegada da novata Haas poderia ser saudada como uma lufada de ar fresco.
Novo jeito de pensar e gerir uma equipe de F1 e com americanos que dificilmente entram em uma parada para fazer vergonha.

Excetue-se o tal GP de New Jersey (Osasco de Nova York) que é e vai ser a eterna piada.
A escolha dos pilotos foi boa.
Esteban Gutierrez é promissor e Romain Grosjean quando medicado e acompanhado é um piloto com potencial.
Mas se esquecer de ministrar o gardenal dele...

O grande lance do ano (caso se confirme que as Mercedes sejam novamente carros à prova de imbecís) será observar a McLaren.
Grande piada do ano passado, pode se reerguer nesta temporada mesmo tendo apenas um piloto.
A grande pena é que se não tiver uma reação boa o suficiente, este único piloto da casa pode se retirar da categoria no fim do ano.
Logo agora que o zueira modus estava on e ele estava ficando legal...

E para você que já está sentindo falta da tensão na pista causada por Pastor Maldonado uma dica: fique de olho em Rio Haryanto.
Só para saber, ele é a primeira pedalada na orelha daquela regra de pontos na carreira para poder chegar à F1.
Tem credencial?

Que liguem os motores, que botem os bólidos para correr para valer na pista de Albert Park.
Vem madrugada... Vem.

15 de mar de 2016

Franco da Rocha 10 e 11/03/2016

Aos poucos a cidade vai retomando seu ritmo normal. Não sua rotina, que esta demora a se restabelecer.
A quantidade de chuva foi extremamente grande.
Para ter uma ideia, a represa Paiva Castro estava com trinta e cinco por cento de sua capacidade e em quatro horas chegou muito próximo ao limite de segurança.
Foi necessário aumentar a vazão de suas comportas para estabilizar e evitar o risco de uma tragédia ainda maior.
Além da inundação propriamente dita e que trouxe prejuízos enormes aos moradores e comerciantes da cidade, também houve o problema dos deslizamentos de encostas.
Dezenas e dezenas de casas em áreas de risco tiveram (ou tem, já que alguns moradores se recusam a sair dos imóveis) de ser evacuados.
Na cidade, até onde se sabe apenas um óbito.
Relatos dizem que a pessoa tentou, sem necessidade, atravessar a enxurrada.
De fato, ninguém vai saber.

Mas a verdade é que sim, as pessoas se arriscam de forma absolutamente desnecessária.
Na manhã do dia 11 ao fotografar os estragos feitos pela água, me deparei com um par de senhoras atravessando a inundação com água pelas cinturas, vindo de uma área seca e indo para onde ninguém sabe. Muito menos o porquê.
De onde elas estavam vindo.
Elas

O que havia à frente delas
 Fora o risco – óbvio – de afogamento por conta dos inúmeros buracos e bueiros existentes na região, há também a chance (grande) de se contrair algum tipo de doença já que as águas do rio se misturam ali com esgotos e, claro, sujeira urbana (ratos etc.).

Foi realmente muita chuva, muita água evacuada pela represa, mas a educação da população também contribuiu para o evento.
Diariamente eram vistos nas ruas todo o tipo de lixo possível.
Desde sacos em frente às lojas esperando recolhimento, até lixo pessoal (embalagens, papéis, garrafas plásticas de água, refrigerantes...) que poderiam muito bem ter sido dispensado em uma das tantas lixeiras espalhadas pela cidade.
Fica o alerta e a lição: a natureza é realmente implacável, mas prevenção e educação ajudam a minimizar muita coisa.

Feito o balanço, contado o prejuízo a vida vai seguir, as coisas voltarão mais ou menos ao normal em breve, porém até lá, os olhos vão se erguer desconfiados e assustados a cada nuvem de chuva que se formar no céu.

11 de mar de 2016

Antes era pior... 15 - Camara onboard na F1

Algumas novidades sempre aparecem e de imediato causam estranheza.
A da vez é o tal Halo que a Ferrari usou nos testes coletivos pré-temporada e tem – na teoria – a finalidade de proteger a cabeça dos pilotos em alguns acidentes.
Também pode – e se aprovado vai – servir de novo espaço publicitário nos carros de F1.
O blog é contra?
Não, mas espera que a coisa seja feita com bastante estudo para não ficar parecendo solução gambiarrática para inglês ver.
Este Halo ficou com esta aparência... E também com a aparência de um chinelo de dedos tipo havaianas.
A impressão que fica é que não protege lá grande coisa.
Quase certeza de que nos casos de Felipe Massa, Henry Surtees e principalmente, Jules Bianchi, a coisa não teria utilidade alguma.

Mas como foi dito, estas novidades causam estranheza.
Imagine, há trocentos anos atrás quando disseram para os pilotos que eles carregariam câmeras dentro do carro para mostrar a emoção da corrida do ponto de vista deles?
Imagino Fangio dizendo: “-Não é uma má ideia... Não senhor, mas é preciso estudar outra forma de fazer. O bafo quente no cangote tira muito a concentração...”.
Não era bem o "bafo" que incomodava Fangio...
Para ver mais desta série clique na tag.

9 de mar de 2016

Pequenas tragédias humanas (2)

Josué Ribeiro Afonso de Santiago Keller.
Este era o nome do empreendedor que tinha um sonho: estabelecer sua pequena fábrica de pregos, porcas e parafusos como uma potência da metalurgia regional.
E para isto o homem trabalhou muito duro...
Fez investimentos diversos.
A sede da empresa foi mudada de um galpão nos fundos de sua casa para uma bonita e bem localizada construção em um bairro próximo ao centro de sua cidade, com facilidades de acesso para fornecedores, trabalhadores e principalmente: compradores.
Também investiu em maquinário, trazendo o melhor em tornos, maquinas de solda e caldeiras que seu dinheiro podia comprar.
Investiu na capacitação do pessoal que já trabalhava para ele e quando precisou de mais funcionários garimpou com seleções de profissionais os que mais tinham experiência, capacidade e conhecimento.
Por último, trocou o nome da pequena empresa do singelo “JR Metais” para o pomposo “Companhia Metalúrgica Santiago Keller.”.
Mas infelizmente os clientes que esperava conseguir com seu produto bem feito, sua fábrica organizada e eficiente e seu nome que impunha respeito nunca apareceram.
Há quem credite o fracasso aos tempos bicudos, as seguidas crises e até a numerologia.
Mas suspeita-se – e com um fundo de verdade – que seja por conta do maldito apelido que a população inocentemente (?) acabou colando à coisa toda.
Se alguém de fora da cidade chegar procurando pela “Companhia Metalúrgica Santiago Keller” dificilmente encontrará informação.
Porém... “-Se é porca e parafuso que o senhor quer comprar, pode ir lá no (sic) Zé Ruela. Os produtos dele são muito bons...” - vão dizer com certeza.

7 de mar de 2016

Propagandas

Publicidade é um negócio engraçado...
Nego gasta tempo (dos outros), grana (dos outros) e paciência (a nossa) criando uma campanha para um produto nos moldes daquele negócio do “on”.
Pior? Vai fazendo rimas sem nenhum sentido com o “on” até terminar no “avion”.
Sério? Alguém ai já tomou cerveja porque viu a propaganda do “on”?
Alguém que realmente gosta e entende de cerveja deu a mínima para a propaganda do “on”?
Aliás, em propaganda de cerveja a única coisa que não tem é gente bebendo cerveja.
Assim como em propaganda de banco não se fala em dinheiro, mas até ai propaganda de absorvente tem menstruação azul e mulheres sorridentes.
Quem trabalha com mulheres, quem é casado e quem é mulher sabe que sorrir nestes dias é praticamente a última coisa que ocorre.
Pode não ser regra, mas enfim...

Outro ponto engraçado da publicidade é que tem nego que gasta tempo para denunciar propaganda...
Teve gente que achou ruim a propaganda do refrigerante com os limõezinhos falando sobre minorias.
Não venha mimizar aqui... Papo de opressor/oprimido guarde para você.
O oprimido só não oprime por falta oportunidade, assim que tiver, vai fazer.
E o lance do banco?
Sério? Ninguém conhece metalinguagem? Ninguém nunca usou analogismo?
Se eu falar de poesia concreta então...

Mas de boa, sinto falta de agressividade na publicidade.
Às vezes é preciso, mais do que isto é necessário.
Ainda vou ver um comercial de TV ou na internet um filme de propaganda – curto, se possível – de um iogurte ou bebida láctea que termine com a frase: “-Beba esta porra!”.
Vai ser do caralho...

4 de mar de 2016

Groo recomenda: Clipes do Foo Fighthers

A existência dos vídeos promocionais de músicas é anterior à criação do canal de música, a MTV.
Reza a lenda que por não poder ir a programas de televisão na quantidade em que era solicitado, o Queen fabricou “Bohemian Rhapsody” que – na opinião deles, e minha também – era uma peça que os substituiria com a qualidade e a novidade que sua música exalava.
 Vídeo clip, como ficou conhecido, já foi sinal de imagens desconexas e edição frenética.
Sim... Nos primórdios da MTV – que é sim responsável pela popularização, massificação e obrigatoriedade do vídeo na trajetória dos artistas – os clipes eram montes e montes de imagens cortadas de forma rápida e esquisita.
Também havia clipes com historinhas e/ou cenas de palco (mesmo a música sendo de estúdio), mas as bandas “da hora” optavam por diretores “modernos” que faziam aparentemente sempre a mesma coisa.
E assim caminhou a humanidade... Alguns faziam clipes melhores que as músicas, alguns acertavam nos dois e outros ainda só existiram por conta dos filminhos. Eis o grande demérito do formato e da TV especializada.
Tinha lixo de montão.

Mas na área dos que acertam (quase sempre) é preciso citar – com louvor – os Foo Fighters.
Dave Grohl e companhia raramente fazem um clipe mediano. Ruim nunca fizeram.
Dá para afirmar que é a melhor relação música/imagem da história da música.
Já teve de tudo: a choradeira de novela mexicana de Long Road to Ruin; o quase non sense de Learn to Fly; o freneticismo freak – com direito a participação do Lemmy – em White Limo; a pegada de filmes dos anos 80 de Everlong e muitos outros.
E sempre com os caras da banda em diversos papeis (quase sempre tem algum vestido de mulher e é hilário).

Mas o melhor, a master piece é sem dúvida o clip de Walk.
Decalcado no filme Falling Down (aqui Um dia de Fúria) com Michael Douglas, é cheio de referências e citações divertidas.
A aparição inscrição Coexist (com símbolos de um monte de religiões) em um adesivo logo abaixo da janela do carro onde um moleque mostra o dedo do meio me faz rir pensando em como devem ter ficado putos os fãs do U2.
E a música, claro, também é sensacional.
Enjoy it.

2 de mar de 2016

Futebolizando o automobilismo

Há algum tempo atrás larguei de mão o futebol.
Ligações grampeadas de dirigentes de grandes clubes falando em quantias para pagamento de árbitros, combinação de resultados, favorecimentos e o escândalo de arbitragem protagonizado pelo hoje ex-arbitro Edilson Pereira de Carvalho que teve como consequência a anulação e a remarcação de onze jogos pelo STJD do Sr. Luiz Sveiter.
Tudo isto serviu para que a credibilidade do esporte fosse colocada sob suspeita e não há desde 1995 um só campeonato em que não paire suspeitas maiores ou menores sobre seus resultados.

Agora, a divulgação de áudios e mensagens de texto de fiscais de prova contratados da CBA traz a mesma névoa cinza do futebol sob o automobilismo brasileiro.
Cacá Bueno que – segundo os próprios fiscais – perdeu corridas e campeonatos por punições dadas pelos fiscais apenas por “birra” com o piloto pode estar escondendo muito mais que a má vontade por ser ele filho de quem é e ter a personalidade que tem.
E isto às vésperas do início de outro campeonato.

A CBA que tratou o caso como “molecagem” dos fiscais tomou a decisão de afastá-los dos cargos, mas... Resolve?
Serão só eles?
Uma apuração mais profunda não vem ao caso?
Cada vez mais fico com a impressão de que nada, coisa alguma, neste país é tratada de forma séria.
O que pode vingar assim?