29 de abr de 2015

Cego

-O cachorro não pode embarcar não! – Disse Zé Pequeno ao ver aquele homem de óculos escuros e um cachorro parado em frente à porta dianteira de seu ônibus.
O homem sequer esboçou protesto, ficou impassível e calado diante da porta. O cachorro idem.
Alguém lá do fundo do ônibus, uma mulher provavelmente, observava a situação pela janela levantou a voz em auxilio ao homem:
-Não ta vendo que é cego? Olha o cachorro!
Zé então olhou para seu cobrador, um moleque novo e com cara de estúpido, como quem procura consentimento.
O moleque dá de ombros. O problema não era dele.
Então Zé pede para que o homem embarque e ainda o ajuda a sentar-se naquele banco de um só assento que fica quase ao lado da cadeira do motorista.
O cão se deita aos pés do cidadão e ali permanece.
Zé vai devagar, tomando excessivo cuidado. Não deixa que o coletivo balance muito nas curvas, reduzindo além do normal.
Alguém lá do fundo então grita:
-Ô Zé, p*rr*, é cego, mas não ta grávido não, c*ralh*! Acelera esta estrovenga ai!
Zé então volta a andar perto da velocidade normal.
Alguns minutos depois o homem se levanta e vai até ele, gesticula um pouco e Zé entende. Para o ônibus no próximo ponto, defronte a uma banca de jornal.
O homem desce e Zé fica esperando que outros passageiros embarquem.
Curiosamente o homem de óculos escuros fica diante da banca de jornal como quem olha manchetes. De repente tira os óculos e chega mais perto de um exemplar da Folha que estava exposta. Saca o dinheiro e compra o jornal.
Zé indignado levanta-se, vai até a porta e grita com o homem:
-Ô... Que isto? Não é cego?
E o homem responde:
-O cachorro é!
Um silêncio sepulcral, quebrado apenas pelo ronco do motor que domina o coletivo até o ponto final.
Alguns juram que ouviram Zé Pequeno rosnar varias vezes...

28 de abr de 2015

E Alonso finalmente tem razão...

Alonso chorou como sempre faz, é verdade, mas desta vez tem alguma razão.
O bicampeão do século passado lamentou que a categoria não ouça uma das principais partes do jogo: os pilotos.
"-Como um piloto, você está na posição de pedir muitas coisas, mas há muito interesse, as empresas e fabricantes no esporte, eles são mais poderosos do que a opinião de um piloto" – disse o asturiano.

Ultimamente o piloto não tem sido a parte mais importante da equação proposta para que se encontre o campeão de cada temporada.
Títulos como o de Hamilton no ano passado e o provável (muito, muito) deste ano são prova cabal.
“-Ah, mas você não tá citando os do Vettel nesta sua sanha de dizer que os pilotos da Mercedes são cones...”.
O dia que Hamilton ou Nico vencerem em Monza, debaixo de uma chuva torrencial e pilotando não mais que um carro de meio de grid, modifico minha opinião, antes não.
Se bem que isto não é de hoje, vale lembrar que Jacques Villeneuve, Damon Hill e Jenson Button também já ganharam campeonatos e não foi – nem a pau – por conta de seus maravilhosos talentos.

Para, além disto, voltando ao espanhol... A categoria sempre foi um negócio que contém esporte na composição: race on Sunday, sale on Monday.
Mas nunca a parte do buzines esteve tão fortemente ligada à gestão da coisa, nunca foi tão sufocante para a parte esportiva.
Pilotos são escolhidos pela quantidade de grana que podem trazer ao time e não pelos benefícios de sua condução.
Montadoras só aceitam vir e ficar se vencerem. Com prazos estipulados. Se os resultados não aparecem, elas também somem.
O custo exorbitante para se estar na categoria impossibilita o surgimento e a manutenção dos “garagistas” tão importantes para a consolidação do esporte em outras eras.
Custos para promoção dos GP´s tirando países e circuitos tradicionais do calendário em contrapartida de lugares sem tradição que geram corridas monótonas e afastam o público das poucas boas – e tradicionais – pistas que sobraram.
Sem contar o monopólio de certo desenhista de pistas alemão que é quase um Midas ao contrário.

Que os gestores não ouçam a torcida é até entendível (não aceitável), mas deixar de ouvir os pilotos é realmente inacreditável.
Na batida que está logo não serão necessários também, deixando a condução dos carros para alguém com um joystick nos boxes ou em algo parecido com os carros sem motorista que o Google anda testando.
Resta saber se haverá alguém interessado em ver isto já que com pilotos do calibre de Alonso, Vettel, Kimi, Bottas e Ricciardo a coisa já esteja um tanto difícil de aguentar...

27 de abr de 2015

Comédias da vida real na F1 #15: A vitória de Vitório

O apelido nunca fez jus à pessoa.
Vitorio Brambilla é frequentemente descrito como um sujeito doce, boa praça e muito divertido.
Talvez a sanha em destruir carros apostando em pontos de ultrapassagens inexistentes tenha contribuído e muito para isto... Alguns casos ficaram na condição de lendas, outros nem tanto... Mas o maior deles, e este realmente aconteceu, foi sua vitória no grande prêmio da Áustria de 1975.

A briga entre Lauda e Hunt era o assunto do ano e na Áustria, o tempo ruim fez com que Lauda ficasse para trás na prova enquanto Hunt dava show.
Também Vitório fazia uma bela corrida e quando encostou no inglês, a torcida austríaca se levantou nas arquibancadas se preparando para um ataque de risos prevendo que o italiano e seus pontos de ultrapassagens inexistentes fosse tirar o rival do ídolo local da prova.

Porém, na briga, o retardatário Brett Lunger foi o fator preponderante atrapalhando o inglês ao tomar uma volta.
Aproveitando, Brambilla deixou os dois para trás e disparou na liderança.

O tempo ruim ficou ainda pior e antes mesmo da metade da corrida a direção de prova resolveu terminar a corrida por questões de segurança.
Ao contornar a última curva, Vitório viu – ainda de longe – o fiscal pronto para agitar a bandeira quadriculada e quase não acreditou.
Ao cruzar a linha ergueu os dois braços e os agitou de forma frenética.
O carro então saiu da linha e – previsivelmente – se chocou contra o guard rail ficando visivelmente avariado.
Fingindo que nada havia acontecido, Vitório Brambilla deu sua volta da vitória feliz da vida por ter conseguido sua primeira vitória.
Nas arquibancadas, os austríacos também riram contentes não só por ter visto o italiano vencendo pela primeira vez e de bônus tirando pontos preciosos de James Hunt em sua briga contra Lauda, mas também por ter presenciado in loco a máxima que diz algumas coisas nunca mudam: Brambilla sempre batia, mesmo vencendo.

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24 de abr de 2015

Walk the line

No palco de um pequeno teatro, Jonnhy Cash e sua banda, o Tenesse Three junto com Jerry Lee Lewis e muito provavelmente Roy Orbson entornavam cervejas e uísque enquanto faziam jam sessions com alguns números de blues, rocks de sucesso radiofônico da época, alguns números gospel.
Após semanas na estrada em turnês feitas em ônibus e carros de passeio desconfortáveis, aquelas escapadas se faziam necessárias e eventualmente, junto com as bebidas também vinham anfetaminas e os barbitúricos que, mais tarde, quase arruinariam a carreira de Cash.
A cena é ao mesmo tempo engraçada e reveladora.
Juner Carter, que também acompanhava a trupe chega para o ensaio e os vê descontraídos e alguns completamente bêbados.
Ela esbraveja, xinga e desopila o fígado em um desabafo que diz mais sobre ela mesma do que sobre o que vê naquele palco. Irritada por já estar tantos dias longe dos filhos e pela própria dureza daquela vida errante,
E ainda diz que não tem que tomar conta daqueles marmanjos e que eles não tem o menor senso de profissionalismo.
Cash diz algo sobre estarem apenas se divertindo e diz que seria muito difícil “se não fosse este tempo mais livre” e todos convidam June a subir, tocar com eles e beber algumas cervejas.
June responde que são muitos “se” na mesma frase e sai pisando duro.
Cash responde dizendo que tem apenas um “se” na frase, no que é seguido por Lewis.
June então volta e transtornada de raiva, começa a atirar garrafas vazias de cerveja e o que mais encontra pela frente no grupo, que – obviamente – se esconde.
Ela diz que está fora da turnê e arremata: “-Vocês não sabem andar na linha”.

Algum tempo depois, I walk the line se torna um dos maiores sucessos de Jonnhy Cash, com seu tom de voz cavernosa e profunda...
O resto é história.

23 de abr de 2015

Dissecando manchetes

Niki Lauda, aquele das declarações controversas soltou aos repórteres que a Mercedes não se sentirá pressionada para fazer atualização de seus motores mesmo que a Ferrari o faça.
Pronto, achamos a comparação ideal: a Mercedes é a Samsung da F1.
Não atualiza porra nenhuma.

Já a Ferrari vai atualizar os seus e promete melhorias para o Canadá já no meio do ano.
A Ferrari é a Motorola da F1.
Atualiza, mas demora... E nem sempre fica lá estas coisas.

Bernie Ecclestone, o velhinho da fuzarca, disse que não há problemas com os direitos humanos no Azerbaijão, que pode ter corrida lá de boa.
Sério... Desta vez eu acredito no anãozinho.
Também não se viola direitos humanos na Rússia, nos EUA (e lá pode ter até duas provas no ano) e nem na China.
Por isto que tem corridas nestes lugares.
E nem foi citado o Bahrein, que uns anos atrás tinha até quebra pau contra a realização da prova...

Arrivabene, a maior surpresa da Ferrari em anos disse que pediu para que construíssem o carro para que fosse ao gosto de Kimi Raikkonen.
Traseiro? Neutro?
Nada, de vodka mesmo.
E ainda completou o italiano gente boa: “-E eu vou botar a mão na massa com vocês”.
O que explica muita coisa.
Só bêbado mesmo pra ser gente boa na F1 e na Ferrari...

Por último: estava no Grande Premio que os brasileiros da F1 chamam a atenção pela solidez e pelos poucos erros.
Tá... É verdade, mas espera... Espera até voltarem ao normal.

22 de abr de 2015

Crônica do GP: Artificialidades: até quando e quanto mais?

Há algum tempo vem se procurando o que pode ser a essência da F1, o que a deixava atraente para o público e telespectadores em outras eras.
O tédio de muitas provas com certeza afastou grande parte do público, os preços praticados nos ingressos, a aproximação da categoria com mercados sem tradição e sem interesse pela coisa também, mas vamos deixar isto para outra hora...

Fala-se agora em aumentar espetacularmente a potência dos motores (elevar a 1000 HP) e retirar a limitação de giros e/ou consumo e liberar a aerodinâmica para os projetistas.
Coisas que e aqui abro aspas “para o bem da categoria e do espetáculo” foram regulamentadas ou banidas há bem pouco tempo.
Mas seria esta a solução?
Duvido...

Houve a criação de um grupo para trazer de volta as ultrapassagens em uma época, não sei se ainda se reúnem... Suas grandes contribuições foram coisas artificiais mais voltadas para o mercado (Kers, ERS e afins) sobre alimentando o motor que para o espetáculo em si.
Para este último criou-se a asa móvel, que unidos ao Kers/ERS dá mais velocidade ao carro que ataca, desde que dentro do intervalo de um segundo entre um carro e outro.
Não há a possibilidade de defesa para o carro que vai à frente, mas as ultrapassagens apareceram, é bem verdade, só que de forma bem artificial e acaba que nem isto trouxe os espectadores, seja in loco, seja pela TV de volta.

Então algum maluco, alguém meio alienado da realidade deve ter dado a ideia de que o que atraia o público eram as faíscas que os carros – mais notadamente nos anos 80, começo dos 90 – soltavam quando batiam o fundo nas imperfeições do asfalto.
Era bonito, claro... Mas era isto?
Não, mas mesmo assim regulamentou-se o uso de uma placa de titânio debaixo do bólido para soltar as tais faíscas.
Mais artificialidade... E tem gente que adora!
Mas aposto e ganho que isto também não vai atrair ninguém de volta.
Se enfiar um bombril no cu, por fogo e peidar, também saí faísca...
Então fico esperando a próxima grande ideia ou sacada.
Será que dirão que o que atraia o povo eram as explosões de motor com muita fumaça?
Ou os acidentes espetaculares como aquele do Kubica no Canadá?
E se disserem que eram os acidentes fatais da década de 60 e 70?
Não quero nem imaginar como artificializarão estas coisas...

21 de abr de 2015

Lado B do GP: Fala Cumpadi...

Os lado B começam, para variar este ano, com a McLaren.
A aposta era: com quantas voltas o time tomaria volta dos lideres?
Alguns apostaram em um terço de prova, outros que com um pouco mais...
O time, contrariando as expectativas – ou a bolsa de apostas – tomou já na segunda volta já que o Button nem largou.
Tem que ver este tipo de manipulação ai nas casas de aposta.
Porém, no fundo – e no raso também – ninguém ligou do Button não estar lá.

Carlos Sainz, o popular Sainzinho, tomou uma punição antes da largada de cinco segundos por se atrasar para alinhar no grid.
Até para isto o rapaz é lento.

Felipe Massa estava com muitas expectativas boas para a corrida.
Traçou um plano de duas paradas.
Fez uma logo antes da largada... Não saiu para a volta de apresentação.
Uma das melhores brigas da prova foi entre Massa e Nasr, com este último tentando ultrapassar o Felipe mais felho de todas as formas...
Até que conseguiu com uma manobra bem arrumada e até bonita, porém os dois – que iam à frente do Maldonado – seguiram para os boxes na mesma volta seguidos de perto pelo venezuelano.
O que acontece? Os dois perdem a posição para o motorista da Lotus.

Enquanto isto, todo mundo ia passando Fernando Alonso e dando tchauzinho.
Ai foi um tal de:
“Passa negão, passa loirinha, todo mundo vai passando o espanhol malinha...”

19 de abr de 2015

F1 2015: Bahrein: por sorte aqui é ao meio dia...

Desde que foi criada, há tempo demais em minha opinião, a corrida bareinita teve umas duas ou três edições memoráveis e realmente emocionantes.
A do ano passado foi ótima.
Algo parecia destoar quando a corrida era disputada com a luz do sol.
A paisagem feia, algo entre lunar e terra arrasada não ajudava. Como também não ajudam as grandes retas unidas por hairpins.
Jogando videogames a impressão que se tem é de que é muito mais prazeroso pilotar lá do que assistir as corridas. Como a grande maioria de nós não pilota...

A corrida começou até bem.
Massa jogado para largar dos Boxes teve que escalar posições.
Nada difícil para quem tem o terceiro melhor carro do grid.
Interessante foi ver Rosberg voltando a ser o que sempre foi e perder posição para o Kimi.
Logo depois voltou ao seu lugar de direito passando as duas Ferrari o que prova de forma inconteste que o carro hoje em dia é infinitamente mais importante que o piloto.
O alemão não é sequer um terço de piloto que são Vettel e Kimi, mas...

E foi só o alemãozinho voltar ao seu lugar de direito, ou de direito do carro, e a corrida entrou em banho Maria à espera da bandeirada.
Algumas boas brigas isoladas no meio do pelotão e só.
As trocas de posição por conta de pist stops não conta.

Massa vivendo um dia horrível não tinha carro para sequer brigar pela décima posição.
Por sorte, não teve quem o atacasse ali.
Rosberg por sua vez, não tem ânimo ou talento para ir atrás da vitória ou segurar a segunda posição.
Mas nem isto interferiu na ordem natural das forças deste ano.
Mercedes, Ferrari e Williams seguem o seco da F1 sem graça.

Vamos esperar que a emoção apareça no próximo GP que... Não... Não... Deixa pra lá.
A próxima corrida é na Espanha, chance de emoção é o mesmo de uma vitória do Alonso ou do Button.

17 de abr de 2015

Fiúque?

E o fim da tarde chega encontrando toda a fauna que frequenta o boteco do Canário reunida em torno de mesas devidamente cobertas de cervejas.
Andrade, Dito, o ex-prefeito, Márvio e até Anízio, o homem das funerárias. 
As conversas variavam do tradicional futebol e política municipal até os também tradicionais pitacos sobre a mulherada que por ventura passa-se pela porta do boteco.
-Cê viu o jogo?
-Vi... Foi impedimento. O gol não valeu.
-Que gol? To falando do jogo de basquete...
-Basquete? Eu não assisto basquete... Não gosto de nada que põe as mãos na bola...
-Isto explica porque se divorciou...
-O que?
-Nada, nada... Deixa pra lá.

Então Derico, o fiscal da natureza – segundo as más línguas – adentra o bar e puxa uma cadeira...
-Ô Canário, seu safado... Trás uma coca-cola ai e uma porção de salame... Eu falei salame, heim? Vem com porcaria de mortadela não... - e virando-se para os amigos - E ai bando de desocupados? Que manda de novo?
-Mandar de novo em qual sentido? – diz Andrade, professor de português aposentado e chegado nos meandros da língua.
-Como assim em que sentido? – ficou curioso Derico.
-De novo no sentido de “novidade”, ou de novo no sentido de “outra vez”? – explica.
-Bom... Nos dois... – e ri amarelo.
-De novidade, nada... 
-E se fosse “outra vez”? O que vocês mandam?
-Você ir tomar naquele lugar... – define o professor aposentado causando risos na turma.

Derico sabe da verve sacana de todos e nem liga.
-Márvio... Cê tem cachorro? – pergunta o ex-funcionario da ferrovia.
-Tenho... – responde - Por quê? 
-Nada... É que a cadela lá de casa deu cria... E tem uns filhotes bonitos... São de raça.
-Obrigado... Mas eu não posso criar cachorro. Tenho alergia.
-Sem problemas... Alguém ai quer?
-Que raça que é? – se interessa Canário.
-São Bernardo...
-Para, Derico... Sua cadela nem é tão grande assim pra você dizer que é um São Bernardo... – diz Andrade.
-E nem muito religiosa também... - debocha Lucas, o açougueiro.
-Engraçadinho... E você Lucas? Não quer?
-Não... Não quero não... Tem um em casa que tá dando trabalho já...  Por causa do nome...
-Do nome? – se interessa Andrade...
-É... Eu creio que seja... Levei para casa ainda filhotinho... Ficava lá, brincando com todo mundo... Bravinho até! E ninguém se preocupava em dar um nome para ele... Era cachorrinho para lá, cachorrinho para cá... E assim ia sendo... Até que alguém resolveu que ele tinha que ter um nome... E minha sobrinha foi lá em casa e escolheu um nome.. 
-E qual foi o nome que ela escolheu? – perguntou Dito, como verdadeiro porta voz da curiosidade de todos.
-Fiúque... Ela escolheu: Fiúque.
E todos riram.
-Mas qual o problema em batizar o cãozinho com o nome do filho do Fábio Junior? Ou de uma celebridade qualquer?  - comentou Andrade.
-Nenhuma... Mas...
-Mas nada... – interrompe Andrade - Eu mesmo tive uma cachorrinha que levava o nome de Audrey, em homenagem a uma das mulheres mais bonitas da minha época...
-Audrey Hepburn? – pergunta Canário.
-É... Conhece?
-Já li sobre... Mas faz tempo isto heim? Não sabia que você era tão velho...
-Ora... Vá se fu... Mas, conta ai Lucas, porque ele tá dando trabalho por conta do nome? – lembra-se Dito.
-É que enquanto a gente o chamava de cachorrinho, o bicho era invocadinho... Todo machinho... Mas foi só colocar este nome ai e pronto... Apareceu um monte de cachorro perto de casa e todos ficam cheirando o rabo dele... E ele nem liga...

O silêncio permeia o ambiente até que:
-Cadê a coca com o salame Canário, porra! Tá disfarçando a mortadela para parecer com salame? – grita Derico.
-Não... To escrevendo no prato para o garçom não se enganar: para o Fiúque da mesa quatro, a dos aposentados...

16 de abr de 2015

F1: Ética, nobreza e cavalheirismo

O automobilismo é mais que um esporte de competição, velocidade e coragem.
Nos primórdios a F1, sua maior expressão, até era tida como esporte de cavalheiros
Histórias existem aos montes.

Como esta recolhida do blog F1 Corradi em que Mike Hawthorn, pilotando uma Ferrari lidera o grande prêmio da França de 1958 na pista de Reims,
O inglês encosta na Masserati pilotada por Juan Manuel Fangio - que não havia se dado muito bem nas longas retas do circuito - e está a ponto de lhe colocar uma volta de vantagem.
Hawthorn surpreendentemente segue até o fim da corrida atrás de Fangio sem sequer ameaçar ultrapassá-lo.
Ao termino da prova, perguntado por que não ultrapassou o argentino respondeu reverentemente: “-Não se coloca uma volta em Fangio!”

Não tão ético, mas com o mesmo senso de cavalheirismo e nobreza, dois personagens mais recentes também têm sua história.
Ao perceber que Bernie Ecclestone, então proprietário da equipe Brabhan iria burlar a regra de peso mínimo dos carros na pesagem pós-classificação para o GP de Mônaco de 1975, um mecânico de Frank Williams entra no motorhome de sua equipe aos berros.
-Senhor Frank, senhor Frank! Ecclestone vai burlar a regra! Eu o vi colocando chumbo em seus carros após o treino!
E recebe de volta de seu chefe.
-Eu sei... Mas por favor, fale baixo e não conte isto a mais ninguém... Fui eu que emprestei o chumbo a ele...

15 de abr de 2015

Balanço da temporada após fase da madrugada

Três corridas já se foram...
Três corridas na madrugada daquelas que o fã de verdade não perde.
Só o fã de verdade... Porque qualquer outro tipo de fã já deixou pra lá na metade da corrida na Austrália.
Aliás, a soporífera Austrália... Quem diria que um dia este adjetivo seria usado para descrever uma corrida de estreia de temporada e na Austrália?
A surpreendente Malásia.
Surpreendente está de bom tamanho e já não é a primeira vez que acontece daquele circuito nos pregar a peça de ter uma boa corrida.
Também já fomos surpreendidos lá por tempestades enormes, falta de luz natural, picolés e refrigerantes...  O lugar tem uma aura, tem um Q qualquer e teve – até agora – a melhor corrida.
E a China, que não é nada, não é nada... Nunca foi porcaria nenhuma mesmo.


Entre os pilotos da para destacar alguns nomes.

Verstapinho é bom, já deu para notar e leva uma nítida vantagem sobre outros pilotos com sobrenome conhecido (famoso é forçar muito): Não tem que superar nada dos feitos do pai, que convenhamos, era um maneta.

Felipe Nasr não é o Senna ao contrário que a menina (chapada?) da transmissão oficial disse. É bem mais que isto.
Tanto ele quanto seu time, a Sauber, estão indo para cima das oportunidades que aparecem como um faminto vai para cima de um prato de arroz.
A fome do Nasr é para deixar para trás a pecha de “promessa brasileira” e mostrar que é bom. Para ajudar o cara, era bom que as comparações parassem. Para sempre.
Já a fome da Sauber é por grana mesmo, já que passou a ano passado inteirinho sem marcar um mísero pontinho que fosse.

Nas equipes a boa noticia é o renascimento da Ferrari, assim como foi o da Williams no ano passado.
Se não é preocupante a situação da McLaren?
Não... É time grande, tem patrocínio, tem lastro, tem parceria, tem pilotos e não vai sumir por conta de uma ou duas temporadas ruins. Longe de ser preocupante, é hilário.
Pena que – como todo mundo sabe – é passageiro por ser transitório.

Preocupante é a estagnação da Red Bull, por não ser um “time esportivo” na acepção da palavra, se ficar muito tempo em baixa pode se mandar, ser vendida ou coisa que o valha.
Ai, o último celeiro de bons nomes (alguns, vai...) de pilotos novatos iria embora de vez.

Mais preocupante ainda é a falta de um equilíbrio e a definição da divisão de forças nesta temporada.
Existe a Mercedes, quase inatingível, a Ferrari que é a segunda força, a Williams que é a terceira e pelotão do resto.
Triste...  Mas pelo menos as corridas daqui para frente serão durante o dia.
Nada mais de perder hora de sono ou dormir com a TV ligada.

14 de abr de 2015

Crônica do GP: Sem surpresas, se pensar bem...

Passeando na tarde de segunda feira, dou de cara com uma pastelaria nova no centro da cidade.
Com fome e louco por pastel entro e logo vejo no fundo do salão uma placa onde se lê: Shangai pastels. Assim mesmo.
Trata-se, obviamente, de um estabelecimento de propriedade de imigrantes ou descendentes chineses.

Por sorte, ou azar, há uma TV (de tubo ainda) ligada em um programa esportivo e – de novo – por sorte ou azar o assunto é exatamente F1 e o GP da China.
Claro que me esforço para prestar atenção o máximo possível devido ao barulho e ao movimento dentro da pastelaria.
Tanto que não ouço e nem vejo o atendente vir me perguntar que pastel vou querer.

Finda a matéria me desinteresso do programa, então olho para os lados para que alguém venha anotar meu pedido.
O atendente então vem e pergunta: “-O que vai beber?”.
Como assim?  O cara me oferece a bebida antes de perguntar qual sabor de pastel vou querer?
“-Só tem pastel de flango”. – me diz.
Pergunto se pelo menos tem a variação com catupiry ou não.
“Só flango, sem catupily.”
Concordo meio constrangido, afinal, tinha ficado em seu balcão assistindo sua televisão por mais de dez minutos ocupando um lugar que poderia ser de alguém que quisesse apenas consumir.
Peço uma coca para acompanhar o pastel de flango, digo, frango e esta me é servida com um vistoso canudo. Detalhe: era uma coca de garrafa.
Reclamo, peço um copo.
“-Copo no, copo sujo né?”
Sujo? Como assim? Só frango, copo sujo... Não dá! Não pode! Assim é ruim... Chato demais.
“-Corrida também foi luim e muito chata, mas você no leclamou enquanto assistia nem a colida e nem a matélia... Usa canudo.”
Por esta lógica, achei melhor obedecer... Trás mais um pastel, por favor?

13 de abr de 2015

Lado B do GP: Era bom que tivesse pelo menos um lado B...

E Hamilton já começou a corrida torto.
Podia?
Parece que sim, ninguém falou nada que tem que alinhar reto... Mas é estranho.

A briga da Renault com a Red Bull continua...
A Renault vai culpar a Red Bull por seu motor ter explodido no carro do Kvyat?
De fato mesmo foram só alguns quilos a mais de fumaça no ar chinês.

A briga bacana do meio da prova foi entre – pasme – Ericsson e Daniel Ricciardo.
Duas coisas a se pensar:
Ericsson foi subestimado.
A Red Bull está uma bela porcaria...
Voto na segunda e acrescento: maldito Renault.

E no bingo da F1, mais uma vez... Maldonado faz das suas.
Até que demorou!
E mais impressionante, não bateu em ninguém. Rodou sozinho.
Ai bateu uma dúvida danada: estava vendo a Globo ou a Record?
Porque se bem me lembro, pastor fazendo merda é na Record...

O twiter é um grande termometo que mede o quão emocionante está uma prova de F1.
Pouco antes da volta 40 (de um total de 56) o assunto dominante por lá era o calor nos bancos dos carros.
Piadas sobre roscas queimando, cus em chamas, rabos quentes e afins começaram a dominar a timeline dando a dica de que, na pista, a coisa já tinha sido definida e estava acabada.


Você sabe que uma carreira está perto do fim quando o dono dela começa a brigar com Pastor Maldonado por posições entre décimo terceiro e décimo quinto.
A de Jenson já acabou faz tempo, novidade ali era a presença do Alonso... Triste fim de Policarpo Alonso.
E o pior? O toque da vez nem foi culpa do Maldonado...
Bota triste nisto.

E a corrida foi tão triste e melancólica que só podia acabar com SC na pista.

12 de abr de 2015

F1 2015 - China: Melancolia, verdade chinesa (desculpe, Emílio Santiago)

O GP da China geralmente é uma corrida cinza.
Não no sentido de não ter emoção, mas no visual mesmo...
De positivo, um traçado rápido, sinuoso e com um retão como nas antigas...
O caracol logo após a largada é outro ponto positivo. Se o carro mais rápido conseguir se manter à frente ali, dificilmente alguém vai conseguir pegar no restante.

E nisto Hamilton foi perfeito, entortou o carro na largada (propositalmente, ficou claro) e cortou as asas da concorrência logo de cara.
Interessante ver a Ferrari mostrando quem é a segunda força de verdade. A Williams não teve nem chance.
Destaque de novo para a largada agressiva do Bottas, pena que desta vez foi que nem gás de refrigerante, logo já tinha perdido força e voltado para trás do Massa.

Lá atrás a asa móvel fazia e acontecia nas brigas. Pelo menos isto...

E na frente a diferença não se mostrava tão grande assim...
Demorou onze voltas para que a Mercedes abrisse quatro segundos para o Vettel.
Em outros GP´s a esta altura já seriam dez ou mais.

E o mais interessante é que no meio da prova, Vettel começou a se aproximar de Rosberg volta a volta provando que o trem de corrida das Ferrari é melhor.
Os carros vermelhos cuidam melhor dos pneus que os prateados.
Só que era muito pouco só tratar melhor dos pneus.
Após a bateria de pits na casa das trinta voltas, a Mercedes continuou à frente e dando as cartas.
Hamilton se dava ao luxo de andar mais lento para poupar pneus sem se preocupar com quem vinha atrás.

Tirando mais algumas brigas em que a surpresa maior foi os nomes envolvidos (Ericsson e Ricciardo, mais pela ruindade do primeiro que pela presença do segundo) a prova terminou na casa das trinta e cinco voltas, depois foi apenas cumprir o protocolo.

E acabou com as Mercedes vencendo – de forma meio melancólica com o safety car na pista - e a corrida mostrando que a divisão de forças está bem definida: Alemães, italianos e a Williams.
Depois das emoções da Malásia, esta corrida chinesa foi um banho de água fria. E se levar em consideração o ar chinês, de água suja.

10 de abr de 2015

Stand up clero

E ele era padre.
Mas não era qualquer padre, não...
Se era cantor?
“- Nunca!” – diria ele.
Tinha voz de taquara rachada, se bem que a Joelma do Calypso também, mas...
Padres cantores existem aos montes por aí, gravando cd´s; dvd´s; fazendo shows monstros com canções do Roberto Carlos e, principalmente: negando que são pop stars.

Ele não.
Se chegasse a condição que os padres cantores chegaram não iria renegar a fama.
“-Hipócritas é o que são! Se não quisessem fazer sucesso que ficassem dizendo missa em latim!”. – é o que dizia sempre.

Mas se ele não era padre cantor, qual era seu talento?
Com o que queria ele alcançar o estrelato como os padres cantores?
Ele era um padre humorista.
Piadista, imitador e avesso ao politicamente correto.

Na opinião das carolas de sua paróquia era mesmo um sem vergonha de marca maior. Fanfarrão que em muito pouco diferia dos beberrões habitantes dos bares que circundavam a igreja, mas que só pisavam o terreno da paróquia em época de quermesse.
O curioso é que nem assim abandonavam a sacristia.

Era conhecido em sua Diocese, não mostravam nenhum tipo de reação a sua forma de conduzir sua comunidade e assim ia levando a vida e tocando em frente o que chamava de sua platéia.

Nem por conta de seu humor o numero de fiéis aumentava, porém também não diminuía.
Era mesmo como se tivesse um publico cativo.
Sempre com um gracejo, um chiste, dava conta do recado.
E o momento maior de sua arte, por assim dizer, sua piece d´resistance eram os sermões das missas dominicais, onde usava piadas de salão ou não para dar seu recado.

Dificilmente uma missa sua terminava sem que ao menos uma senhora ficasse com a maquiagem borrada, ou cavalheiro tivesse que afrouxar o cinto para poder rir com mais conforto.
Usava piadas de judeus para falar que a caridade era necessária.
Contava causos de caipira para ilustrar o excesso de malicia no mundo.
Dizia trocadilhos infames a torto e a direito para ilustrar suas falas sobre o apocalipse...

Chegou a fazer um sermão inteiro chamando o diabo de Dualib e o inferno de sucursal da Secretaria da Fazenda.
Claro que ofendeu muitos corintianos e alguns funcionários públicos, mas fez rir e pensar quem não era...
Afinal imaginava-se que o coisa ruim era mesmo uma espécie de ladrão e o inferno, bem... Já o descreveram como uma repartição publica algumas vezes.

Pior foi quando resolveu fazer um sermão sobre arrogância, e usou para isto a metáfora dos argentinos com sua mania de grandeza.
Disse coisas como: “-Argentinos cometem suicídio pulando de cima do próprio ego.” E completou com a clássica: “-Quer obter lucro? Compre um argentino pelo que ele vale e venda-o pelo que ele pensa que vale.”.

As risadas foram muitas, e apenas um pequeno grupo de estudantes de direito se ofendeu. Moradores em uma das pensões da cidade e grandes entusiastas de sua forma de pregar, incentivando inclusive.
Não é preciso explicar que eram argentinos e que procuraram as autoridades católicas da região para fazer uma queixa contra o padre piadista.

Uma bronca tremenda adveio disto junto a uma ordem para que nunca mais ilustrasse seus sermões com piadas ou trocadilhos.

Porém esta era sua vocação, este era seu meio de fazer o trabalho ao qual tinha se preparado. Era como respondia ao chamado, como ele próprio costumava dizer.
Engoliu calado o que tratou como uma traição do pequeno grupo de portenhos.
Não prometeu revanche e nem vingança, mas guardou para si a pequena derrota.

Um dia ao enveredar sobre o assunto da traição acabou por tropeçar em seus próprios sentimentos contraditórios e entrar novamente pelo caminho da ironia:

-Hoje iremos falar da Santa Ceia! Naquela noite, Jesus disse: “-O meu traidor está aqui na mesa.”
E Pedro diz: “-Mestre, por acaso sou eu?”.
”-Não, não é você Pedro.” Diz Jesus. E então João prossegue: “- Mestre, serei eu?”
 E Jesus diz: “- Não é você João.”
Ouvindo os colegas perguntarem Judas Iscariotes, assustando diz: “- Mestre, por acaso soy yo?”.

Não se sabe se foi por esta recaída que deixou ou foi convidado a deixar o sacerdócio, mas dizem que ainda é possível vê-lo nos sábados à noite, fazendo figurações em programas humorísticos enquanto espera sua própria redenção.

9 de abr de 2015

O que se pode tentar ver no GP da China?

Tá certo... A corrida na China é em alta madrugada, mas não é bem a isto que o título se refere.
Afinal, o que é acordar às duas e meia da madrugada para assistir uma corrida?
Só velho não consegue.
Ano passado eu perdi... (mentira)
Mas vamos lá...

A confirmação do renascimento da Ferrari.

Dá para dizer que sim dependendo de onde chegarem os dois pilotos.
Se for dobradinha está confirmado!
Se for dobradinha com vitória do Kimi então é algo sem volta... Chupa Mercedes.

O retorno da Mercedes à normalidade (chata) dos últimos tempos.
Uma vitória de Hamilton com folga é um pesadelo para quem espera que a disputa se equilibre salvando assim o campeonato.

Uma vitória apertada do Lewis, com disputa pelo primeiro lugar, seja roda a roda ou na estratégia é um alento, um suspiro de esperança, desde que – claro – não seja com o Nico.
Uma vitória do Nico é neste momento, aparentemente, um acidente de percurso. A não ser que Hamilton esteja fora da prova.

Um fio de entendimento entre o povo da Red. Bull e da Renault.
Enquanto brigam para ver quem fez o pior serviço (carro ou motor) a concorrência vai sumindo na frente.
Se começarem a se entender, quem sabe, não conseguem chegar à frente da Toro Rossi?

Mais uma disputa (bonita) entre os pilotos da Williams.
A casa de Groove já sinalizou que a disputa entre seus dois pilotos é liberada.
Com responsabilidade, claro...

Mas o que gostaríamos de tentar ver mesmo, já na China, é como o time se portaria a este respeito se a briga entre os dois pilotos fosse pela ponta e sem muita vantagem para os outros adversários.

Também da para tentar ver:
Alguma evolução da McLaren. (difícil)
Mais um vexame da McLaren. (mais provável)
Alonso com cara de poucos amigos. (certeza)
Ninguém ligando para o que o Button possa dizer. (fato)
Mais um acidente do Maldonado. (fato imutável da vida)
Outro showzinho particular do Verstapinho. (por que não?).
A confirmação de que Nasr é melhor do que a expectativa (que era ruim)

Mas só da para tentar ver mesmo se a poluição (aquela que nunca deixa ver a cor do céu chinês) não embaçar as tomadas de câmera e só consigamos ver aquela neblina densa e cinza.

8 de abr de 2015

De como o rock rural "furou" a propaganda da ditadura

Luis Carlos Pereira de Sá havia sido levado por Gutemberg Guarabyra para conhecer o sertão do São Francisco entre as gravações e shows no ano de 1977.
Sá, segundo o próprio, era um “bicho completamente urbano” que só saia da cidade do Rio de Janeiro para – no máximo – ir até Teresópolis.
Lá, nas barrancas do rio São Francisco, maravilhado pelo que chamou de “um outro mundo” resolveu que iria se integrar ao lugar comendo um prato típico da região.
Guarabyra, já mais acostumado com o tempero do lugar pediu um pirão de peixe no que foi acompanhado pelo parceiro.
Sá ainda lembra o perrengue passado no dia seguinte, na casa dos pais de Guarabyra, para dar passagem pelo organismo a toda àquela pimenta malagueta que acompanhava o prato.

Entre uma urgência e outra, ouviu o pai de Guarabyra dizer que a poucos quilômetros dali trabalhavam caminhões de um tamanho que ele nunca pensou que existissem.
Gutemberg Guarabyra, curioso se abalou até lá e descobriu que, de forma sigilosa, o governo militar estava construindo uma represa que reteria um volume de água seis vezes maior que o da Baía de Guanabara no Rio.
A represa colocaria debaixo d´água ao menos seis cidades da região.
Escreveu a letra de Sobradinho á qual apresentou ao parceiro que ajudou a musicar e na volta ao Rio, como todo artista da época, apresentou a canção aos censores da ditadura militar.
O assunto da represa era tão sigiloso, tão secreto que os censores não tinham a menor ideia do que a letra estava dizendo e a aprovaram de primeira, sem pedir a mudança de um verso sequer.
Depois de gravada e lançada, a canção fez um sucesso tremendo e acabou fazendo com que o governo tivesse de abrir para o país a história da represa e da inundação das cidades...
Foi assim que dois músicos intitulados de compositores de “rock rural” passaram a perna no governo militar.

7 de abr de 2015

Perguntas que não vão cair na prova

Na F1.

Mercedes já está falando em brigar GP a GP com a Ferrari para evitar que uma nova derrota para Vettel seja encarado como vexame?
E se perderem para a Williams, por exemplo? Pode chamar de vexame ou a gente chama de milagre?

A Manor/Marussia vai andar na China?
Pode chamar aquilo que eles tentam fazer de “correr”?
Se eles ficarem acima dos 107% vão invocar o senhor das trevas para liberar a participação, sim ou claro?
É justo isto?

Qual seria a maior surpresa da corrida na China?
Outra vitória do Vettel?
Uma dobradinha da Ferrari?
McLaren marcando pontos?
Conseguir ver o céu por trás de toda aquela poluição?

Na Stock.

É tão difícil assim fazer um regulamento que seja fácil de entender, justo com os participantes das provas e que dê o mínimo de chances para interpretações?
E já que a categoria não passa a integra do campeonato na Globo, por que não menos corridas em circuitos de rua e mais em pistas bacanas com corridas um pouco mais longas e sem esta porcaria de limite no tempo ao invés de número de voltas?

Na Formula E.

Quem fornece a energia elétrica para abastecer aquilo que eles usam como carros?
Se tiver corrida no Brasil, a conta de luz vai para quem?
Haveria risco de apagão durante a prova?

6 de abr de 2015

Apanhadão do fim de semana

Jackie Stewart disse em entrevista que: “A F1 precisa respeitar mais a sua história.”.
Entenda-se “sua história” como a da categoria e não a do tri campeão mundial.
Concordo, há de se olhar para o passado e entendê-lo para poder apontar as baterias de artilharia para a construção do futuro, mas... Que ficou parecendo conversa de ex-jogador de futebol brasileiro que sempre reclama que não é valorizado o suficiente, ficou.

Eric Boulier elogiou a evolução da McLaren do GP australiano para o da Malásia.
Não se esperava outra coisa dele.
Mesmo com o cenário apontando o pior inicio de temporada em todos os tempos da equipe, se ele sai fuzilando a coisa só pioraria.
Eric ainda se diz otimista... Ai é obrigação!
Se a coisa piorar o time fecha as portas...
Mas Boulier é o cara certo para a crise do time neste momento. Afinal, já trabalhou com desastre bem pior quando era chefe na Lotus: Romain Grosjean.

E por falar em Lotus, Alan Permane, chefe da engenharia do time disse que pretende melhorar o desempenho do time na China e finalmente conseguir os primeiros pontos na temporada.
Só faltou completar: “Esperamos que Pastor não tente passar o Romain, ou vice e versa. Ai quem sabe conseguimos pontuar com pelo menos um dos carros...”.

Red Bull nega a vendo do time para a Audi.
Até ai normal.
Também nega que vá fazer motor próprio.
Também... Se a Honda, que sabe fazer motor como ninguém, tá se ferrando de vermelho, prata e preto, imagina um time que só sabe fazer bebidas com aspecto de xixi de boi e – de vez em quando – grandes pilotos?

Por outro lado, parece que o negócio entre a Toro Rosso e a Renault vai se encaminhando.
Curiosamente, quanto toquei neste assunto há um ou dois anos atrás, disseram que eu tava viajando na maionese.
Se o negócio sair de fato, o chupa grafado aqui vai ser tão grande que vai ocupar um post inteirinho...

3 de abr de 2015

Conto de páscoa

-Pegou!
-Tem certeza?
-Tenho sim...  A armadilha desarmou... Pegou sim!
-Você colocou mesmo a ratoeira?
-Não né, dããããã! Ratoeira é pra rato...  Menino é tão burro!
-Não sou não...  É que não queria falar “coelheira”, isto não deve existir...
-Não, né... Não tem “coelheira”, mas tem armadilha pra coelho... 
-Então tá... Vamos lá ver se pegou mesmo.
-Claro que pegou... Ce não ouviu desarmar?
-Tá bom... Tá bom... Vamos olhar então... O que cê colocou de isca?
-Cenoura, né? Dãããããã! Burro. Vamos lá perguntar pra ele porque ele esconde todo ano os ovos de Páscoa em vez de entregar pra gente logo...
-Vamos...

A armadilha nada mais era que uma enorme caixa de um aparelho de TV como se fosse uma antiga arapuca para pegar passarinhos. Daquelas que nossos pais e avós sempre nos contavam como sendo a melhor e mais eficiente armadilha já feita.

-Cê abre, se ele tentar fugir eu pego.
-Você? Pega nada... Ce tem medo de gato, vai pegar o coelho que jeito?
-Não tenho medo de gato não... Eu só não gosto deles.
-Não gosta... Tem é medo isto sim... É o único menino que conheço que tem medo de gatinhos...
-E você? Que tem medo de barata...  
-Não tenho não... Tenho nojo, é diferente... Mas não muda de assunto, Quer mesmo que eu abra a armadilha e você pega o coelho?
-Ele morde?
-Quem? O coelho?
-É né..
-Não... Não morde... Ou será que morde?
-Não sei...  Gato morde!
-Ah! Então é por isto que cê tem medo de gato?
-Eu não tenho medo de gato, é mentira...
-Então tá! Mas vou avisando... Não sei se coelho morde...
-Paiê! Coelho morde?
-Não...
-Viu não morde... Pode abrir que eu pego.
-Tá... Vou abrir... Um, dois, três... Já! – e tira a caixa.
-Ai meu Deus! – e pula para cima do sofá.
-Miau! Arrroowww, Miaaaau!
Os pais correm até à sala para ver o que acontecia e chegam a tempo de ver o filho com os olhos arregalados e a respiração ofegante em cima do sofá.
No chão a menina olhava sem acreditar para a armadilha que havia preparado.

-Você não nem nada a me dizer, senhorita? – pergunta o pai, enquanto a mãe acalma o menino.
-Tenho...
-Então diz!
-Gatos é que trazem os ovos da Páscoa?

2 de abr de 2015

Entrevista com Ron Dennis

Em mais uma entrevista exclusiva, o Blig Groo trás luzes aos fatos que estão ocorrendo em uma das mais tradicionais equipes de F1: a McLaren.
O entrevistado é nada mais, nada menos que o todo poderoso Ron Dennis e ele abre o jogo.
Fala sobre Alonso, motores Honda, a opção por Button entre outras coisas...

Ron Groo: -Boa tarde Sr. Dennis, quer pedir alguma coisa antes de começarmos?
Ron Dennis: -Como o que?
RG: -Sei lá... Alguma bebida, um fundo musical...
RD: -Bebida não... Pode ser um fundo musical.
RG: -Algo inglês? Pode ser Iron Maiden?
RD: -Não... Pega alguma coisa do Pink Floyd mesmo. Condiz mais com o momento do time.
RG: -Mais cerebral?
RD: -Não... Mais lento mesmo.

Ron Groo: -Foi uma surpresa o desempenho dos motores Honda?
Ron Dennis: -Não.
RG: Já esperavam esta lentidão toda?
RD: -Em partes... Sabíamos que poderia acontecer e nos preparamos.
RG: Como?
RD: -Escolhendo o Button em vez do Magnussen.
RG: -Pela experiência? Para ajudar a desenvolver?
RD: -Não... Nada disto.
RG: -Por que então?
RD: -Para que se fosse realmente lento, podermos colocar a culpa nele, pela idade. Entende?

Ron Groo: -E Alonso? O que aconteceu realmente antes da abertura da temporada?
Ron Dennis: -Aquele episódio do acidente?
RG: -Sim...
RD: -Nada... Mas precisávamos mostrar ao Magnussen o porquê escolhemos o Button.
RG: -Não entendi...
RD: -Manja a ação movida pelo Van Der Garde?
RG: -Sim... Mas o que tem isto?
RD: -Para evitar que o Magnussen tivesse ideia semelhante, colocamos ele no carro antes da principal estrela do time para que ele visse do que tava se livrando...

Ron Groo: -Agora um assunto delicado.
Ron Dennis: -Não falo sobre pilotos de outras equipes.
RG: -Mas não ia perguntar nada sobre outras equipes...
RD: -Nem sobre o Nico?
RG: -Não... Ia perguntar sobre Alonso mesmo. Depois do ocorrido em sua primeira passagem pela McLaren, o mundo inteiro duvidou que um dia ele pudesse tornar a trabalhar com o senhor em Woking... O que o fez mudar de ideia?
RD: -Como te disse: sabíamos que poderia acontecer da parceria não funcionar a contento... De o carro ser ruim ou do motor não prestar.
RG: -Então contrataram Alonso porque ele é um piloto top e poderia melhorar o trabalho?
RD: -Não...
RG: -Por um golpe de marketing então? Patrocinadores?
RD: -Também não...
RG: -Mas por que então?
RD: -Vingança... Depois do que ele fez, tudo que eu queria na vida era ver andando no fim do grid... E consegui!

1 de abr de 2015

A última (besteira) do Ecclestone (por enquanto)

Bernie e sua boca grande mandaram mais uma piada para a imprensa repercutir.
Agora disse que seria legal ter uma F1 só de mulheres para fazer as preliminares das corridas ou para andar nos sábados após as classificações.
Suzie Wolf já disse que é besteira, que não correria numa categoria só de mulheres e que não sabe onde o velhinho da fuzarca encontraria tantas mulheres piloto (pilota é o cacete!) para compor o grid.
Se procurar até deve ter, não duvido...
Mas tenho de concordar com a Suzie que é uma ideia besta.
A categoria seria vista como uma coisa bizarra tipo, sei lá... Futebol feminino ou ginástica artística masculina...

Mas fico na dúvida sobre a possibilidade de realmente haver uma mescla de sexos nas pistas de F1 disputando diretamente entre si.
Pode até ser apenas uma questão de preparação física, mas é de se pensar: quantas modalidades esportivas de alto rendimento tem esta configuração de disputa entre homens e mulheres diretamente?
E mais: disputando algo que envolve uma carga pesadíssima de esforço físico.

Certamente argumentarão que mulheres já correram na Indy (e até venceram... Daquele jeito, mas venceram.), em outras categorias do automobilismo e até na própria F1.
Não andaram em carros de ponta e a grande maioria nem mesmo em carros minimamente competitivos. Logo, não houve como avaliar e comparar resultados - quando existiram resultados para ser avaliados e comparados de forma justa – então a dúvida persistirá até que as condições de disputa entre os sexos nas pistas sejam iguais e finalmente aconteçam.
Nada de sexismo, mas esbarra na possibilidade muito factível de que o organismo e a musculatura feminina não reajam como nos homens ao desgaste de uma prova de duas horas.
Um bom exemplo são as provas de atletismo em que há a divisão entre os sexos por conta da disparidade das performances de cada sexo.
Só para lembrar, alguns marmanjos chegam a perder de dois a três quilos ao fim de uma prova.

Esta última informação até poderia servir para ajudar a resolver a questão levantada por Suzie Wolf sobre onde encontrar tantas mulheres para as vagas nas equipes.
Bastaria anunciar naquelas revistas femininas de dois reais e cinquenta centavos nas bancas que sempre trazem as últimas novidades em dietas emagrecedoras.
 “Perca quatro quilos em duas horas pilotando um F1!”
Pela quantidade de exemplares vendidos normalmente, ia chover candidatas.