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Mostrando postagens de Fevereiro, 2017

A escola de samba de um homem só

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Legitima expressão da cultura brasileira, o samba já produziu tantas pérolas quanto qualquer outro estilo musical.
Uma delas – pasmem – é algo que se aproxima de um dos marcos do rock progressivo: o disco conceitual.
A grosso modo, discos conceituais são aqueles em que o conjunto das músicas formam e passam uma ideia. Dark side of the moon e Animals do Pink Floyd; The Who Sell Out do The Who, Sgt. Peppers dos Beatles, entre tantos outros são exemplos – às vezes bons outras tenebrosos – desta vertente.
Notou que são todos de rock? Pois bem, aqui agora um de samba. Samba e com S maiúsculo.
E o autor da proeza é Jorge Ben, muito antes de ser Ben Jor ou voltar a ser Ben...
Jorge já definiu o som da batida de seu violão como: “...a batida de uma escola de samba em retirada.” e quando perguntado se o que faz é samba-rock (sic) ele responde que é simplesmente música. E quando pedem para que dê um nome ele diz: “-É sacundim sacundem...”.
Em 1974, no século passado, portanto, fez aquele que po…

Lançamentos 2017: The good, the pretty and the bad, as três últimas

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Em sua segunda temporada na F1 a Haas vem com um carro tão agressivo quanto sua estreia na categoria.
A melhor surpresa desde a Brawn GP (guardando as devidas proporções) o time norte-americano quer continuar fora do fim do grid e se possível marcando pontos importantes.
Foi a primeira equipe a dizer publicamente que estava deixando o desenvolvimento do carro de 2016 para focar no projeto desta temporada.

O esquema de distribuição de cores é o mesmo, com o vermelho e preto no bico e o cinza substituindo o branco.
Apesar do cinza, o carro ainda assim é muito bonito.
A tendência do bico piroquinha está presente, assim como a tampa de motor com barbatana.
O motor ainda é o Ferrari, o que pode ser problema.
Um dos pontos fortes do time é sua dupla de pilotos: Romain Grosjean, medicado e controlado é um grande piloto e Kevin Magnussen, outra das boas promessas.
Particularmente, o time seguirá no meio do pelotão, mas a torcida é para que evolua rápido.

A Toro Rosso também está de pintura no…

F1 2017 - Lançamentos: MCL32 e SF70H, as apostas de dois pilares da F1

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Todo ano os fãs dizem a mesma coisa: “-Ia ser legal se a McLaren viesse laranja...”
Afinal, laranja é a cor oficial do time de Woking.
Também tem aqueles que querem a pintura dos anos 80, aqueles que.... Deixa pra lá.
Mas o fetiche da rapaziada é mesmo o laranja... O papaya Orange, como dizem os puristas
E neste ano, sem Ron Dennis no comando, cederam: a jabiraca veio laranja e preto.
Não é o tom certo do papaya Orange, para ser exato, é algo que em fotos e video, dependendo do ângulo, estará bem perto de um vermelho.

E a combinação com o preto, o esquema das cores distribuídas no carro faz lembrar mais uma Manor que uma McLaren. Também já disseram que parece com um das Arrows.
Fico com a Manor.
Até porque, nas últimas temporadas, pouco fez a mais que a coirmã falida.
Mas é um time tradicional, e assim sendo, quem sabe não surpreendem?
Pintura à parte, o carro é bonito.
O bico elegante termina em uma asa dianteira aparentemente muito complexa, cheia de pequenas aletas e degraus.

A tam…

F1 2017 - Lançamento: W08 a miss F1 (ao menos por enquanto)

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Barbatanas?
Não... A Mercedes nunca teve.
Bico com piroca?
Também não.... Nem grande e nem pequena.
Degrau? Não me lembro...
O máximo de esquisitice concedido foi o bico estranho (e muito feio) do W03 de 2012, quando o time ainda não era a potência dominante que é hoje.
Assim que se aprumou e começou a vencer regularmente, nunca mais fez algo vergonhoso em seus carros e coincidentemente, nunca mais perdeu.
Com o W08 não foi diferente.
A pintura é praticamente a mesma, sem sustos e sem invencionices.
Sóbria, bem balanceada, com uma paleta de cores de bom gosto e... Chata.
Sim... O maior (e talvez único) defeito deste carro é sua pintura.  O mesmo prateado visto em tantos corsas classic nas ruas por aí.
Mas isto não é suficiente para desgostar do carro.

O bico é elegante e em seu fim apenas uma suave curva onde repousa estrela que é símbolo da montadora.

Assim como no Renault, a pequena asa traseira é bem notada e forma um conjunto elegante com as rodas e pneus mais largos.
Sob a tampa …

F1 2017 - Lançamento: A coisa da Force Índia

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Falou em carro feio? Falou Force Índia.
Desde que foi fundada, em 2008, os indianos levam a sério a máxima que diz que: o primeiro requisito para ser indiano é ser feio.
Nunca fizeram um carro bonito que fosse.
As pinturas – aqui sempre chamadas de samba do indiano doido – sempre foram confusas: branco, laranja, preto, tudo junto, misturado...  Era mais poluição visual que pintura.
Nas últimas temporadas a predominância do prateado junto com a miscelânea de cores prevaleceu.
Neste ano sobressaiu.
O carro tem um tom de prata horroroso, como alumínio velho não bem areado. Talvez um Bombril desse jeito de brilhar, mas nem isto ajudaria.

E não ajudaria porque o carro é plasticamente horroroso.
O bico trás o que de mais horrendo a F1 produziu nos últimos anos: o degrau.
Não bastasse, termina em um treco fálico destacado sobre o fim da peça.
A barbatana parece (talvez pela cor) exageradamente grande.
Nem a pequena asa traseira se salvou, fazendo com que o carro pareça largo demais no meio e…

F1 2017 - Lançamentos: O tratorzinho fitness da Renault

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E a Renault lançou seu carro.
Carro? Sim.... Ao que parece, este ano com a pintura trazendo um pouco mais de preto junto do amarelo (tradicional?) do time, o tratorzinho da Carterpillar passou da categoria de máquina agrícola para bólido de corrida.
Ficou charmoso.

A combinação preto/amarelo é capaz de deixar qualquer coisa simpática.
Desde o roupão de Rock Balboa no último filme da série, até um carro de uma equipe francesa que não prima pelo bom gosto...
De qualquer forma, quem olhar de frente ainda vai ter a sensação estranha de estar vendo um trator da Carterpillar.

As linhas seguem a tendência deste novo regulamento de formato para os carros, porém o Renault RS17 parece mais esguio que o carro gorducho da Sauber.
O bico é elegante, mesmo terminando com o maldito pingulim/piroquinha.
A barbatana de tubarão também está lá e, se não me engano, a equipe foi a primeira a usar a tal peça alguns anos atrás, embora naquele tempo tivesse mais o aspecto de uma bigorna que de uma barbatana.

F1 2017 - lançamentos: C36, o caminhãozinho da Sauber

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Não é feio, mas está longe de ser bonito.
Assim é o carro da Sauber, o C36, que se não surpreender de forma muito positiva, é sério candidato a fechar os grids durante o ano.
Esteticamente falando (assim como no caso da Williams, é só o que dá para analisar) o carro parece meio “gordinho”.
A faixa dourada na lateral do bico deixa a impressão que a peça é quadrada, achatada ou algo assim.
A curva descendente do bico é acentuada e tem um início bem abrupto e – infelizmente – também termina em um pequeno pingulim (ou piroquinha, se desejarem).
Com a saída de Felipe Nasr do time, a cor amarela foi devidamente limada já que se referia ao patrocinador máster do piloto brasileiro.
Em seu lugar, o branco e detalhes dourados.
A pequena asa traseira, muito elegante, parece dívida em duas peças e o carro traz de volta o famigerado (e feio) acessório aerodinâmico “barbatana de tubarão”.
O carro vai ser equipado com uma versão mais barata do motor Ferrari, que já não é lá estas coisas nem no carro…

F1 2017 - Lançamentos: Williams, the first

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A Williams foi a primeira equipe a mostrar (ainda que não oficialmente) seu carro para a temporada de 2017.
Obviamente não dá para dizer nada além da estética. Nem o ronco do motor Mercedes que vai empurrar o carro.
Aliás, do motor, só se sabe ser novo e alinhado com o que vai equipar o carro do time titular da montadora alemã. O que já é muito bom e garante que se o time tiver feito um bom trabalho no chassi, o ano pode ser bom.
Mas este é um ano de transição e é melhor que as expectativas estejam baixas. A decepção pode ser bem menos dolorida.

Das fotos divulgadas, talvez pelo ângulo, não deu para ter grandes impressões e nem fez tanta diferença o largo pneu traseiro adotado para esta temporada.

Com novas fotos em novos ângulos talvez fique melhor, mas o aerofólio traseiro, mais baixo e menor deixou o carro muito elegante.
Assim como o bico mais baixo e sem degrau.
Desapontou ainda ter aquela piroquinha na ponta.
A pintura, que aparentemente pouco mudou, continua o ponto alto.
Porém…

Futuro do Passado

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Havia publicado este conto no antigo blog do IG, mas, sei lá porque,  nunca o coloquei neste... foi um dos meus primeiros textos. Espero que apreciem.
Naquele dia dez de outubro de 2006, Ayrton acordou mais cedo do que costumava acordar aos domingos. Afinal era dia de Gp Brasil de F1!
Acompanhava sempre.
Estava aposentado desde 1995 quando, desiludido com a fragilidade dos carros Williams, resolveu que era hora de parar.
Havia perdido dois campeonatos, 94 e 95 para um alemão até então desconhecido que pilotava um carro com nome de grife de roupas, mas que se revelara um excepcional piloto ganhando o mundial sete vezes, sendo cinco seguidas.
Na verdade, já se sentia deslocado no circo...
Os rivais já não eram tão desafiantes. Já não havia mais Prost ou Mansell, e pior: Piquet já havia parado, o que o impossibilitava de dar o troco daquela ultrapassagem humilhante que tomara na Hungria em,1986.
Em suma já não tinha tanta graça.

Mas acompanhava a F1 de sua casa em Tatuí onde também ficav…

F1 2017: Talvez o início de um novo reinado

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Em 1984, na quinta feira anterior ao GP de Mônaco que daria o pontapé inicial ao mito Ayrton Senna, um caso chamou a atenção.
O jovem Senna havia atrapalhado uma volta rápida do campeão mundial Niki Lauda e este foi tomar satisfações.
Além da mais olímpica indiferença, Lauda recebeu também um dedo do meio em riste.
Mais do que uma mostra de má educação desportiva, o episódio pode ser encarado – muito – tempo depois como uma espécie de passagem do bastão, entrega de faixas ou que quiserem para ilustrar a queda de um rei para o coroamento de outro.
A história com Lauda ainda teve um desdobramento naquele mesmo ano em Nurburgring.
Lauda deu passagem a dois carros, mas fez questão de travar Senna não o deixando passar de forma alguma.
Nos boxes, o brasileiro veio louco da vida tomar satisfação e ouviu do austríaco: “-Isto é para você ver o que me fez (em Mônaco), e vê se aprende.”.
O que veio depois é história e até onde se sabe, se tornaram bons amigos e Lauda sempre se referiu a Senna c…

Just keeps walking spreading his magic

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No fim de semana passado, o grupo seminal do heavy metal fez o seu último show.
O Black Sabbath se aposentou dos palcos (até que Tony Iommi resolva voltar) com três quartos de sua formação original já que Bill Ward não estava no palco e nem participou do que eram então os últimos discos de estúdio da banda, o álbum 13 (2013) e o EP The End (2016).
A aposentadoria é algo bom.
Tony vai cuidar da saúde, Geezer Butler vai continuar compondo suas trilhas e Ozzy seguirá sendo Ozzy.
Aliás, o fim dos shows poupará bastante a imagem do Madman, porque, apesar da potência técnica da banda e de uma qualidade de performance absurda como instrumentistas, Ozzy era uma caricatura do vocalista que já foi.
Para se ter uma ideia, a apresentação de uma de suas mais icônicas canções, “Snowblind”, do disco Paranoid (1970), chegava a constranger com os berros apatetados de “cocaine” quando na gravação original a palavra não passava de um sussurro soterrado pela mixagem.
Além de, claro, não ter mais o mesmo …

F1 2017: Hora de se valer da segurança conquistada?

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Depois daquele maio tenebroso em 1994 a F1 passou por uma corrida desenfreada em busca da segurança.
Caçaram-se bruxas, é verdade... Curvas foram transformadas em retas; retas ganharam chicanes; autódromos foram modificados, desfigurados e alguns até riscados do mapa.
O símbolo mor desta caça às bruxas nem foi a plástica feita em Imola onde se extinguiu a curva Tamburello, visto por muitos (erroneamente) como a principal vilã naquele primeiro de maio, mas uma estúpida chicane instalada em plena Eau Rouge em Spa-Francorchamps.

Mas coisas boas foram feitas também.
Desde 1994 o número de óbitos na F1 se reduziu a – infelizmente doloroso – um caso.
E nem foi pela insegurança do carro ou dos equipamentos.
As pesquisas de materiais que resultaram em capacetes mais resistentes (e leves), as células de sobrevivência que protegem o piloto mesmo com os carros se desmanchando inteiros nas pancadas entre outras coisas...
O hans para a proteção do pescoço e cabeça contra o efeito chicote, a obriga…

F1 2017: Coisas que não veremos

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A McLaren com um carro chamado MP4 qualquer coisa.
Depois de aposentarem a força o chefão Ron Dennis, decidiram que o carro não vai ter mais a nomenclatura tradicional.
No lugar do MP4 entra o MCL... E este é o MCL32.
Mas ao que parece, a tradição no time de Woking não vai ser totalmente esquecida já que há fortes indícios de que o carro virá pintado de laranja, a cor oficial do time.
Sim... Laranja e não branco e vermelho...
Outras coisas bem prováveis de não serem vistas para os lados do time inglês são as vitórias, as poles...

Não veremos a Manor, mas nem por isto vamos deixar de ver um time fim de grid.
Só vamos precisar saber qual vai ser.
Aposta? Cravo forte na Sauber e arrisco, não alinha em 2018.

GP da Alemanha também não vai ter.
Este ano fará falta já que seria disputado em Nurburgring e não no asséptico e mutilado Hockenheim.
Vettel e Wehrlein não terão um GP para chamar de seu.

Não veremos as placas, banners e pinturas na grama como a frase: “Bernie says: think before you …

Garranchos

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O cara chega em casa exatamente as cinco e meia da tarde, toma um banho e vai para frente da TV jogar vídeo game.
O dia tinha sido horrível.
Muitos ‘pepinos’ no trabalho, problemas com o transporte público que usa.
Mais que justo que pudesse ter algumas horas de diversão até que sua esposa chegasse do trabalho e ele fosse obrigado a deixar o controle que usava para dirigir carros de F1 por pistas do mundo todo. Esta era sua maior diversão.
Então toca o telefone: era ela.
- Alô?
- Alô! Amor? Já em casa que bom.... Pode me fazer um favor?
- Claro amor.... Tudo! – Disse ele sem muita convicção. Queria jogar.
Sua esposa era revendedora de uma marca de cosméticos e tinha um monte de clientes fiéis e às vezes pedia para que ele buscasse os pedidos e passa-los à consultora por e-mail. Era simples e este era o caso agora.
- Cê pode, por favor, pegar o pedido da nossa cliente do centro, juntar com os outros e fazer o pedido? Só falta o dela e é só até hoje.
- Claro... E onde está o pedido?
- E…

Gildo

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-Então é pra cá que a gente vem quando morre? -Não, na verdade não... Você não morreu ainda, o paramédico está tentando te reanimar.
-Então?
-Bem... Deixa eu explicar...

Gildo tinha acordado pela manhã e como sempre nas Segundas-feiras estava atrasado.
Pegou a roupa em cima de uma pilha que estava dobrada, se vestiu às pressas e saiu correndo.
Ao chegar ao ponto de ônibus lembrou-se de checar algo que lhe amedrontava: que roupa íntima estava vestindo.
Em seus piores pesadelos era atropelado e quando chegava ao hospital, para que lhe fizessem curativos lhe tiravam as roupas e descobriam que ele estava de calcinha e não de cueca.
Geralmente acordava aos berros, transpirando litros e tinha de ser acalmado por sua esposa.
A paranoia era tanta que sua gaveta de cuecas ficava em uma cômoda separada do guarda roupas do casal.
Naquele dia, estava tudo em ordem. Até freada tinha.

-Quando se morre sem resolver algum assunto na Terra, vem para cá: o limbo.
-E como sai daqui?
-De duas, uma. Volta…