30 de mar de 2010

Pai Tião e o RB6

-Pô, assim não é possível! Adrian cê tem que fazer alguma coisa... O carro é bom, mas é frágil!
-Pô Sebastian, eu não sei o que acontece, seu carro é um foguete e quebra... Já o do Webber nem é tão rápido, mas é mais confiável...
-É que eu sou eu... E o Webber é o Webber...
-Não... Não é o caso... Se não a gente chega à conclusão que é você que quebra o carro...
-Não... Não... De jeito nenhum eu trato o carro com carinho, mas ele quebra assim mesmo?
-Vem cá.... Diz aqui pro tio Newey... Trata mesmo com carinho? Ce não abusa?
-Não... Até apelido carinhoso para as maquinas eu dou...
-É... Faz sentido.
-E o que você vai fazer? Desta vez foi a porcaria de uma porca. Da outra uma vela... Pó! Uns bagulhos que custam mixaria ferrando um carro que custou milhões!
-Eu não sei o que fazer... Falei com o Horner e ele prometeu ver qual era... O que aconteceu que para aquela porca não estar apertada o suficiente...

Então entra Christian Horner na sala.
-Bom dia Sr. Adrian, e aí Sebastian... Que corrida, heim... Pena a gente não ter ficado bem na fita... A sua porca, o serviço porco do Webber... Mas tudo bem...
-Christian... Você já falou com o quadro de mecânicos? Já descobriu o lance da porca? – quis saber Vettel.
-Já sim Sebastian... E todos eles foram unânimes em dizer que o serviço foi bem feto, que ninguém deixou de fazer sua parte.
-E você os achou sinceros, Horner? – pergunta Newey.
-Foram sim... Todos na equipe estão muito comprometidos com o serviço Adrian...
-E então? – indaga Vettel – Como vamos resolver o que anda acontecendo?
-Olha... Eu como austríaco não acredito em mandingas e mau olhado, mas falei com o Vjay Malya e ele falou que o único jeito de acabar com a zica da nossa equipe era um banho no Ganges... Com carro e tudo.
-Eu to fora... – disse Vettel.
-Eu não aconselho... – Completou Adrian Newey.
-É... Eu também não gostei muito da idéia... Então ele me falou de um pai de santo brasileiro ai... Que tirou sapo do carro da Ferrari e tudo o mais... Até ajudou o Button a ser campeão!
-É o cara é forte mesmo... – comenta Newey...
-Bom... Eu ainda não acredito... Agora se você me falar que foi ele que fez trabalho pro Alonso ir pra Ferrari a coisa muda de figura... – provoca Vettel.
-Acho que não... – e continua Horner – ai não foi trabalho de Santo não... Foi de uns capetas dos infernos dos jornais espanhóis mesmo...
No que os outros dois concordam plenamente.

Mas mesmo assim Christian Horner resolve ligar para o numero que Vjay Malya havia dado.
O ebozeiro da F1 atende ao telefone e ouve pacientemente a história de Horner, só mostra alguma irritação quando é mencionado o nome do dono da Force Índia, afinal os cheques que recebeu de Malya pelo trabalho feito em Spa-09 estavam todos sem fundos.
-Ói fio... Deixa eu falar com ele aí... – diz o macumbeiro da velocidade.
-Com quem? Com o Vettel? – pergunta Horner...
-Não fio... É o Vettel que tá dando problema?
-Não... É o carro...
-Então com quem eu quero falar?
-Mas... Carro não fala...
-Olhe homem, rapaz... Vou lhe dar uma consultoria por telefone, sem cobrar e tu ainda reclama? Poe o carro na linha ai! Envergonhado, Christian Horner leva o celular até a garagem onde está parado o RB6 de numero 5 de Sebastian Vettel e coloca o aparelho entro do cockpit.
Bastam alguns minutos para o carro com começar a fazer uns barulhos estranhos, o motor ligar sozinho.
Horner observa tudo espantado e só pega seu celular de volta quando o carro finalmente para fica quieto..
-Alô? Sr. Tião, ainda está ai?
-Tô sim fio...
-E o que o senhor “falou” com o RB6...
-Bem fio... Começa que ocê não precisa de pai de santo... Precisa de pisicólo.
-Pisi o que?
-Pisicólo... Médico que trabaia o emocional da gente...
-Para o carro?
-É uai... Não é ele que tá dando problema?
-Mas por que um psicólogo?
-O carro de oceis tá brabo.
-Brabo?
-É sô... Com raiva.
-Por quê?
-Não sei, mas disse que Liz Voluptosa é a puta que o pariu, que o nome dele é Simão Pé de Mesa...
-Ih...

Para quem quiser relembrar a trajetória do macumbeiro internético clique ai embaixo no marcador: Pai Tião.

29 de mar de 2010

Ava(ca)liações australianas - Avacaliar o que? Foi ótimo.

E finalmente, eles foram as estrelas da prova: os pilotos.

Ele ganhou, mas nem assim consegue atenção, Hamilton detonou!

Segundo, imagina se tivesse um carro...

Massa: "-Avisa o asturiano que eu estou vivo..."

O povo da Lótus tinha colocado o carro do lado errado no grid... Normal, eles ainda aprendem.

-Hei Webber, fez caquinha heim?
-Hãããã... Foi.

-John! Vai dançar no pódio?

Antes da corrida:
-Amor, eu vou lá ganhar uma saladeira pra nossa casa...

Dorival Caymmi compareceu ao evento.

Coulthard: -Eu quero que o Dicésar saia da casa...
Jordan: -Eu concordo, ele é muito... Muito...
Reporter: -Boiola?
Os dois: - Isto!

É Australia... Já estamos com saudades...

Se tivesse um negócio deste tamanho ai no Bahein a gente tinha gostado mais dele do que da corrida. Se bem que da corrida lá ninguém gostou mesmo.

-Não falei amor, que eu ia ganhar uma saladeira pra gente!

28 de mar de 2010

Isto é uma corrida! E o resto que se: "-tops, tops, tops..."

E foi com se esperava, emocionante.
Tudo bem que choveu e isto sempre agrega adrenalina às provas, mas se não houvesse caído uma gota sequer ainda assim seria ótima, afinal a pista australiana proporciona isto.
Mas curioso mesmo foi o dialogo pelo rádio entre o alemão e seu engenheiro, é óbvio que não me lembro dos termos exatos, mas uma parte do dialogo foi inesquecível.
Após perguntar se o prejuízo foi grande ouviu-se a voz do rádio (não sei se do alemão ou do engenheiro) dizer: “-Tops, tops, tops...” como quem bate uma mão aberta sobre outra de punho cerrado. E esta foi a tônica da corrida....
Quando se apagaram as luzes vermelhas foi algo impressionante... Uma largada perfeita de Felipe Massa que pulou do quinto para o segundo lugar superando Mark Webber, Jenson Button e principalmente: Fernando Alonso.
Uma confusão envolvendo vários pilotos acabou por deixar Alonso virado ao contrário e cair para as ultimas posições: “-tops, tops, tops...”.
Também acabou sobrando para Michael Schumacher que teve a asa dianteira quebrada e foi aos boxes, momento em que se deu o dialogo citado acima.Safety car na pista, pausa para respirar e novamente ação.
Webber recupera a posição com uma ultrapassagem relativamente fácil sobre Massa, não tinha como segurar o canhão dos bois vermelhos enquanto lá na frente Vettel ia se distanciando com facilidade.
E começava ali atrás o show particular de Lewis Hamilton, que pode ser mentiroso, pode tomar multa de transito fazendo zerinhos, mas quando quer correr ninguém segura.
Que o diga seu companheiro de equipe que tomou uma invertida daquelas que um sujeito mais fraco de cabeça pede para ir ao banheiro e some.
Sorte do Button que não fez isto. Pelo contrário, apostou que a pista secaria mais rápido que o imaginado e foi o primeiro a ir aos boxes e colocar o slick macio, logo à saída dos boxes deu um passeio pela grama, mas... O tempo mostrou que ele tinha razão. Um pouco depois um pitstop geral com quase todo mundo parando e invertendo posições dentro dos boxes. Exceção feita aos dois carros de boi vermelho e claro, Button.
Nas voltas seguintes os Red Bull pararam e uma nova ordem foi estabelecida com Vettel em primeiro e Button, ele mesmo, em segundo até... Vettel esquecer de frear em uma curva e ir parar na brita.
Depois disse que o freio teve problemas, como se isto não fosse óbvio para quem assistia.
O problema me pareceu se um só... Não tinha um pé para empurrar o pedal.
Então o Vettel: “-tops tops tops…”

Button assume a ponta para não largar mais.
Atrás do inglês foi uma festa, com um improvável Renault sob a condução de Kubica herdava a segunda posição e Felipe Massa na terceira com um carro um tanto instável e muito esquisito.

Alonso, Webber e um atentado Hamilton trocavam de posição seguidos de perto por um burocrático e sem graça Nico Rosberg que a cada dia mais prova que não é tão bom de corrida como é de treinos. Lá no fundão Michael Schumacher sofria para ultrapassar o Toro Rosso de Alguersuari. Bem que tentou de varias formas, mas sempre era bloqueado pelo espanholzinho que a cada tentativa do alemão parecia repetir: “-tops, tops, tops.”.
E finalmente, quase ao final da corrida quando conseguiu ultrapassar Michel deve até ter pensado em fazer o “-tops”, mas deve ter reconsiderado ao lembrar do seu histórico em comparação ao do Jaiminho.
Eu ficaria com vergonha....

Nos últimos giros da prova a pressão de Hamilton em cima de Alonso pelo quarto posto era quase insuportável.
Alonso parecia o Quinze de Piracicaba jogando contra o Santos na Vila Belmiro, só se defendia.
Até que em uma manobra considerada limpa – não por mim, achei que o asturiano diminuiu demais – Webber aprontou das suas e encheu a traseira de Hamilton: “-tops, tops, tops...”.
Pos fim assim ao ultimo duelo da prova e sacramentando o quarto lugar do ferrarista, já que Nico nem sequer tentou uma ultrapassagem, conformado que estava com o quinto lugar.

A Lewis, como consolo sobrou o sexto lugar, a nós, pobres espectadores sobrou algumas horas de sono após a corrida.
Poucas, mas extremamente felizes por ter visto a primeira corrida do ano.
Ah... Teve o Bahrein, né? Mas o Bahrein que se: “-tops, tops, tops...”.





27 de mar de 2010

Saturday night´s alright for fight

Na foto - para quem ainda não reconheceu - é David Coulthard, o velho, após um toque que o virou de frente para todo o grid, que raivoso rugia seus motores em direção ao escocês pré-histórico.
A cena deste acidente foi em Mônaco, mas poderia ter acontecido em qualquer pista (decente e não tilkada) ao redor do mundo. Até na Austrália onde na madrugada de Sábado para domingo vai ter lugar o GP de F1 daquele país.
Corrida que nos enche de esperança de finalmente poder ver e sentir a emoção que esta temporada tanto promete.
Voltando a foto, uma das leituras que se pode fazer – livremente, claro – da imagem é a de um Coulthard irado olhando para todos os outros carros do grid e desafiando:
“-Vem pra cima, se vocês forem homens!”
Enquanto os outros corredores hesitam se acotovelando uns aos outros como se tivessem medo de ir realmente pra cima do Williams desafiante e sofrer as conseqüências...

No fim da tomada de tempo para formação do grid, quando confirmou seu favoritismo cravando a pole e quebrando o recorde da pista Sebastian Vettel esbravejou ao rádio do carro: “-Eles vão ver!”.
A frase é tão provocativa quanto à imagem de David Coulthard em Mônaco.
E pessoalmente acho que os outros pilotos do grid australiano também hesitarão em pagar para ver as conseqüências do desafio do alemãozinho.
De qualquer forma é um ingrediente a mais para provocar nossa ansiedade em torno da primeira corrida do ano. Bahrein não é corrida, é desfile e nem deveria valer pontos...
E como dizia Elton John em uma obra muito bem defendida pelo Queen: Saturday night´s alright for fight... Ainda que tecnicamente a corrida seja no domingo...



E para esperar a briga do sábado a noite (eu sei... Eu sei que é domingo...) nada melhor que uma edição da RoB ao vivo, com a participação de toda a galera ajudando a mim, Felipe Maciel e Fábio Campos a destrinchar as notícias sobre o Gp da terra dos cangurus
Aqui neste link!
PS. A BESTA DO ESCRIBA ESQUECEU DE DAR O HORÁRIO DO PROGRAMA, A FALAÇÃO COMEÇA À UMA DA MADRUGADA, ANTES PORÉM UMAS MUSIQUINHAS PRA DESCONTRAIR.


26 de mar de 2010

E na Mclata...

-Que que a gente tá fazendo aqui no Brasil, Button?
-Sei lá... A corrida é só lá no fim da temporada Lewis, to achando muito estranho a gente estar aqui antes de viajar pra Austrália...
-Estranho é... Mas eu sou novo na equipe, então para mim tudo é novo. Vocês não fazem isto todo ano?
-Não... Nunca. Vir ao Brasil só mesmo na época da corrida.
-Muito estranho... Entra na sala Martin Withmarsh falando ao telefone celular.
-Certo Dennis, fica tranqüilo... (pausa) Não, não... A única que copiou até agora a parada foi a Sauber, mas sinceramente acho que naquele carro deles não vai fazer diferença nenhuma. (pausa) Se eles copiarem? O que é que tem? (pausa) Deixa copiar... Não vai funcionar com eles... (pausa) Como assim latinos? O Massa é brasileiro e o chorão é espanhol... (pausa e gritos) Não chefe... Eu não faltei às aulas não... É que.... (pausa) Tá certo Dennis, são de ascendência latina mesmo. Eu me equivoquei. (pausa e desta vez é possível entender no meio do esporro a palavra “burro”).

Martin desliga o celular, sorri amarelo e se vira para os dois pilotos da Mclaren que ainda estão rindo do "burro" que ouviram.-Lewis, Button... A gente veio até aqui no Brasil para treinar.
-Treinar Martin? Mas nem estamos em São Paulo, onde fica o autódromo da F1 e nem carros a gente trouxe... Vamos treinar como? – pergunta Hamilton, mais velho de casa.
-Seguinte Lewis, e Button... Serve para você também. A gente inventou este negócio ai de duto que leva o ar para a asa traseira do carro, certo?
-Certo! – dizem os dois.
-E como tudo que dá certo na F1 acaba sendo copiado pelas outras equipes, tô certo?
-Tá sim, Martin... – novamente os dois, como alunos de escola primaria.
-Pois bem... Por enquanto só a Sauber copiou. Só que eu acho, e disse isto ao Ron Dennis, lá não vai dar certo... Um piloto é japonês e o outro tem muita idade. Quase tanta quanto a própria F1...
-E daí? – pergunta Button.
-Espera, eu chego lá... Mas o que quero realmente dizer é que – e foi o Dennis que me abriu os olhos para isto – se a equipe vermelha copiar o sistema eles vão levar vantagem...
-Por quê? – quis saber Lewis.
-Elementar meu caro Hamilton... São latinos... E tem o molejo natural dos latinos para a dança. E nós somos ingleses, não sabemos nem sequer fazer o dois pra lá dois pra cá...
-Ah... Agora entendi por que não dá certo na Sauber... Um é japonês e também não dança nada e o outro provavelmente tem artrite, bursite e outras “ites”... – lampeja Button.
-Exato meu caro Jenson! Para poder abrir e fechar os dutos os caras tem que ficar dançando dentro do carro... Por o joelho e os cotovelos nos buracos na hora certa... E convenhamos como ingleses a gente não leva vantagem nenhuma sobre os vermelhos né?
-Ah! Agora entendi o “burro” que o Ron Dennis gritou no telefone... Mas? O que tem a ver a gente estar aqui no Brasil com isto tudo? – quis saber Lewis.
-Simples... Viemos estudar os movimentos para poder tirar o melhor do sistema de dutos... E para isto viemos aqui na Bahia para aprender com o melhor!
-E quem é este gênio? – perguntou Button.
-Ainda bem que perguntou Jenson... Eu quero apresentar a vocês o inigualável, o fenomenal... O homem que vai nos ensinar a usar o corpo para ganhar corridas de F1: Cumpadi Washington!

De trás de uma cortina aparece o ex cantor do É o Tchan... -Então meus reis... Estão prontos?
Os dois olham sem entender nada...
-Vamos lá meu nego Lewis, vamos lá rapaz que eu não lembro o nome... Põe a mão no joelho, dá uma abaixadinha, vai descendo gostoso, balançando a bundinha...

Meio sem jeito os dois pilotos da Mclaren vão seguindo os movimentos de Cumpadi Washington, enquanto Martin Withmash apenas olhava sem entender nada, mas esperançoso como todo ser que tem idéias idiotas costumam ser...

25 de mar de 2010

A barbearia e a iniciação

Dando um tempo na F1 para mostrar um conto novo... Espero que gostem.

Hoje as barbearias não existem mais.
Pelo menos aquelas em que havia apenas um ou dois profissionais do corte chamados de barbeiros e que eram freqüentadas exclusivamente por homens.
Os dias de maior movimento eram os sábados pela manhã, quando os pais, que geralmente trabalhavam durante a semana aproveitavam para ir cortar os cabelos e – quem tinha – levar os filhos para fazer o mesmo.

A decoração era sempre a mesma: azulejo branco até a metade das paredes e uma faixa da mesma cerâmica em cor azul arrematando.
Sofás velhos, vermelhos e com alguns rasgos, um rádio sintonizado em alguma estação de noticias, uma mesinha com revistas e jornais, porque barbeiro que se preza lê muito jornal, ouve e ouve muito rádio que é para ter assunto para conversar com a freguesia enquanto faz seu trabalho. A barbearia é para os homens o equivalente ao salão de beleza para as mulheres.
Lá, além de dar um trato no visual, claro, também se põe os assuntos em dia, com o barbeiro e com os outros freqüentadores que por cortarem o cabelo quase sempre à mesma época acabam por se encontrar lá.
Apenas que as fofocas ali dão lugar aos assuntos “de homem” como o futebol, política e claro: mulheres.

Ali só não se fala da mulher de quem está dentro do estabelecimento naquele momento, o resto é liberado.
Comentários curtos ou longos e quase sempre indelicados, seguidos de algumas gargalhadas dão à tônica.
E a senha para que a conversa vá para este assunto é sempre a mesma: alguém se levanta do sofá vermelho e rasgado e vai até a mesinha com os jornais e revistas, fuça um pouco e acaba descobrindo uma revista masculina, geralmente a playboy entre as Veja, Istoé, 4rodas e umas revistas Manchete muito velhas e geralmente sem capa.
Então o sujeito olhava as fotos das madames despidas e dizia algo como: “-Ô beleza!”
Pronto... Estava dada a largada para se falar de mulheres....

O garoto que é o objeto desta crônica ia com o pai sempre, tinha onze anos e não entendia patavina das conversas “adultas”, mas ria assim mesmo e até repetia para os amigos da rua e até na escola.
-Mas eles falavam assim mesmo? Gostosa?
-É sim... Falavam deste jeito...
-Mas eles olhavam o que? Só a revista?
-Não... Olhavam também as moças que passavam na calçada... E tinha alguns que diziam: “-Esta eu pegava.”
-Assim mesmo? Pegava? Que nem a gente fala quando vai brigar na saída da escola?
-É... Deve ser...
-E você? Viu a revista?
-Eu até tentei, mas quando meu pai viu que eu ia pegar ele não deixou... Me deu uma revista da Mônica e colocou a outra em cima de um armário.
-Pô... Mó chato seu pai...

E assim o menino ia todo mês cortar o cabelo com o pai e na segunda feira levava as novidades e seus avanços em relação a conseguir ver ou não a revista.
Em um dos sábados chegou a folhear a tal revista, mas antes de chagar às páginas com as donas sem roupa, seu pai o colocou na cadeira para que cortasse o cabelo.
-Ah... Se tivesse mais um.. Mais um só na frente eu tinha visto... - pensou.

Mas eis que completou doze anos e, segundo seu pai, chegou à hora de ir cortar o cabelo sozinho, com afirmação de que estava crescendo e que já era digno de confiança para que saísse sozinho para resolver pequenos problemas...
Porém a única forma para que fosse sozinho cortar o cabelo era não indo aos sábados, porque seu pai ia invariavelmente neste dia.
-Vai na sexta então... Ai cê corta o cabelo da forma que quiser. Se não ficar bom, a gente volta lá juntos no sábado e arruma.
-Fechado!
Era a chance de ver a tal revista.

Na sexta acordou cedo, arrumou a cama, fez os deveres de casa e almoçou... Iria cortar o cabelo e de lá para a escola.
A mãe lhe deu o dinheiro e recomendou cuidado nas ruas, se despediu com um beijo e: “-Já está virando um homenzinho o meu bebê!”.
Pelo caminho até a barbearia nem respirava. Andava o mais depressa possível torcendo para que houvesse ao menos duas pessoas na sua frente, para que tivesse tempo de olha a revista até o fim, e se desse tempo... Olhar de novo.
Mas só havia um cliente na sua frente e já estava na cadeira.
Já entrou no estabelecimento dizendo ao oficial barbeiro que queria cortar o cabelo.
-E a barba? Já que está ficando um homem tem que fazer a barba... – brinca o barbeiro.
-Deixa pra próxima... Hoje eu tenho só o dinheiro do cabelo mesmo... – e sorri.
-Então senta ai... Vai lendo uma revista, terminando este aqui já corto o seu.
Tinha pouco tempo então antes de se sentar foi à pilha de revistas e procurou seu objeto de desejo.
E lá estava... Era como se brilhasse entre as outras revistas.
Fez um esforço para ler o nome da revista em inglês: Pplai bbóói... Plaibói.
Playboy! Lá estava ela... Tomou nas mãos e correu para o sofá vermelho e se colocou a folhear. Ávido, viu tudo... Deteve-se por algum tempo a mais nas paginas em que aparecia a mulher da capa...
E o melhor: ninguém nem tentou impedir que ele o fizesse.
Chegou sua vez, colocou a revista de volta à mesinha e sentou-se à cadeira.

Mais tarde na escola contou as novas aos amigos...
-E ai eu vi tudo...
-E tinha mesmo mulher pelada lá?
-Tinha, tinha...
-E o que você achou?
-Sinceramente... Não achei nada não... Aliás a mulher lá era até bem feia.
-É? Quem era?
-Ah... Eu não conheço, nunca tinha visto, mas tava escrito lá... Hortência, acho...
-E era feia mesmo? – quis saber um dos meninos. -Era... Era sim...
-Ah... Então não quero saber disto não... Deixa pra lá, da próxima vez cê olha umas revistas de carro e conta pra gente...

24 de mar de 2010

A Hispânia na Austrália, em três takes

-Chamei os dois aqui para falar da corrida da Austrália... Desta vez, senhores, não teremos tantos problemas como foi lá no Bahrein...
-Sério chefe? Desta vez vamos conseguir completar a corrida? – pergunta Senna.
-Olha Bruno... Terminar eu não sei, mas... Quantas voltas cê deu mesmo na ultima corrida?
-Quinze!
-Pode colocar mais umas cinco voltas ai... Acho que desta vez vão ser vinte.
-E eu Sr. Kolles? Também vou dar vinte voltas?
-Olha Karun... Acho que sim... Se a gente somar a sexta, o sábado e a corrida domingo, até acho que sim...
-Senhores, chamei os dois aqui para dizer que agora a coisa vai ser diferente no GP da Austrália... Vocês não terão tantos problemas como tiveram no deserto.
-Que bom Sr. Kolles... Foi muito frustrante dar apenas quinze voltas e ver a Lótus terminar a corrida...
-Mas Bruno... Eles testaram antes, testaram no sexta, treinaram no sábado e tudo o mais... – diz Karun.
-Ele tem razão... O nosso pequeno indiano tem razão, Bruno... – diz Colin Kolles, mas antes que o indiano esboçasse um sorriso ele completa – ... e se esta besta não tivesse quebrado o câmbio na hora dele andar pela primeira vez....
-Mas Sr. Kolles? Como eu ia saber que era semi-automático? O carro não corria e eu achava que era falta de apertar a borboleta com força...
-Não Karun, seu burro! Não era o câmbio que tava deixando o carro lento... – diz Bruno.
-Viu Karun... O Senna sabe das coisas... – diz Colin Kolles interrompendo.
-Então... É que o carro não vale nada mesmo... Por isto tava tão lento. – conclui Senna.
-Bruno, Karun... Chamei vocês aqui para dizer que na Austrália nós não vamos ter tantos problemas com o carro. Chegou o que faltou lá no Bahrein...
-Opa! Agora vai... O que chegou? O difusor duplo? – quis saber Senna.
-Não. – diz Kolles.
-Então foi o novo pacote aerodinâmico? – chutou Karun.
-Não! – nega Kolles – Tá frio.
-Então foi a nova especificação de motor da Cosworth? – novamente Senna.
-Passou longe... Tenta outra... – desafia Kolles.
-Eu passo... – diz Senna
-Eu também. – desiste Karun.
-Pô, gente... Chegou o esquema de montagem do carro... – explica o chefe da equipe.
-Ah! Chegou o papel explicando como monta aquela coisa? – pergunta Bruno.
-Sim! Não é o máximo?
-Se é o máximo eu não sei... Mas vou ficar feliz se alguém agora tirar aquela ponta de ferro que está no lugar do banco no meu carro... – sorri amarelo o indiano.

E está no ar a edição pré Austrália da Rádio Onboard.
Com as boas discussões de sempre e uma homenagem a Ayrton Senna.
Com Felipe Maciel de volta ao posto de âncora do programa e eu e Fábio Campos concordando (?) com um monte de coisas... Sinal dos tempos, 2012 vem aí... Ouve lá.

23 de mar de 2010

Enquanto isto na Mercedes F1

E na fabrica da Mercedes... -Não adianta... Não vai dar... Esquece! – Nico Rosberg batia o pé e fazia beicinho.
-Mas Nico? A gente precisa de você... O Michael até gosta demais da pista, mas ainda não tá em forma! – tenta contemporizar Norbert Haugh.
-Não adianta Norbie, eu não vou me esforçar na Austrália, acho que nem vou querer ir para o Q3 desta vez...
-Não fala assim Nico... Olha o tamanho da responsabilidade de conduzir uma Mercedes! Uma flecha de prata! E com as novas atualizações que fizemos no carro... Ce pode até conseguir sua primeira vitória!
-Não quero.. .Não vou... – bate o pé e deixa a sala...

-Que bagunça é esta ai Norbert? – quer saber Ross Brawn que acabara de chegar.
-Pô Ross, o Nico enfiou na cabeça que não vai se esforçar pra ganhar a corrida da Austrália.
-Sério? Mas por quê?
-Ele não diz... E eu esqueci de perguntar... Só diz que não vai, e não adianta implorar, não adianta falar em patriotismo... Eu já tentei de tudo... Até disse que ele tem que aproveitar para bater o Schumacher agora que ele tá fora de forma..
-E o que ele disse?
-Falou que não importa, na Austrália ele não vai se esforçar...
-Deixa que eu vá falar com ele. - e Ross vai até o escritório onde Nico está.

-Fala Nicolete? Como vai esta força de He-man?
-Sem graça... Ce não veio encher a paciência com este GP da Austrália não, né?
-Pô, mas este é meu papel, motivar os pilotos e armar as estratégias...
-Então, arma uma estratégia pro Michael ganhar e eu ficar em segundo, ou terceiro...
-Mas Nico? Ce vai se contentar com isto? Vão te chamar de 1B alemão...
-Não me importo, depois eu dou a resposta. Mas na Austrália não! – e faz beicinho...
-Mas... Qual a razão?
-Motivo pessoal...

Ross, desolado, deixa Nico sozinho e volta para falar com Norbert Haugh, que neste momento conversa com Schumacher.
-Olá Michel...
-E ai Ross? Vamos melhorar o carro na Austrália?
-Bem... Vamos... Mas vamos ter que pedir um esforçozinho a mais pra você na parte física.
-Mais? Por quê? O plano não era por o Nico pra carregar a equipe até eu estar cem por cento?
-Era, mas a She-ra deu para trás...
-She-ra? – estranhou Norbert.
-É... Eu chamei ele de He-man e ele achou ruim... – e ri desanimado enquanto os outros dois balançam negativamente a cabeça.
-Mas o que aconteceu? – quis saber o alemão sete estrelas...
-Bem Michel, eu entrei na sala e ele estava dando um piti com o Norbie, dizendo que se recusava a tentar ganhar a corrida de domingo... Disse que acha que nem quer passar para o Q3 para não correr riscos.
-Eu implorei, disse a ele da honra e responsabilidade de representar a Mercedes, a própria Alemanha e nada... – lamentou Haugh.
-Pois é... – continuou Ross Brawn – e nós não conseguimos entender o porquê disto.
-Acho que a culpa é minha... – diz Schumacher abaixando a cabeça.
-Sua? – espantam-se os dois dirigentes.
-É... Minha... Eu falei com ele estes dias, pelo telefone... E falei que se ele ganhasse a corrida eu o levaria para comer canguru.
-Mas... E daí? Isto é motivo para não querer ganhar? – diz Norbert
-Canguru nem engorda! – completa Brawn...
-É eu sei... Mas no mesmo dia, mais tarde, ele me ligou de volta apavorado, quase em pânico gritando: “-Michel... Depois que cê falou que a gente ia comer um canguru eu fiquei apavorado!”, e eu perguntei a razão...
-E o que foi que ele respondeu? – quis saber Ross.
-Diz logo, to me roendo de curiosidade! – diz Haug.
-Bem... Ele disse que depois que falei aquilo, de comer um canguru, ele disse que a imagem do Webber não sai da cabeça dele... Que ficou apavorado... -Pô... Até nós, né Ross?
-Pode crer Haugh... O Michael.. Da próxima vez escolhe melhor as palavras...

22 de mar de 2010

GP da Austrália, para ficar acordado até a largada

Começa a semana do GP da Austrália e a corrida de Melborne sempre é cheia de atrativos.
O clima é melhor, o visual é muitos furos acima daquele cenário de corrida na lua do GP (Grande Porcaria) do Bahrein.
Os pilotos gostam mais, os espectadores de TV gostam mais.
O publico que comparece à pista é realmente apaixonado pela corrida e vibra junto com os acontecimentos.
Claro, pistas por si só não garantem emoção e para que o público vibre com mais força é preciso que o espetáculo ajude, mas há mais chances de que aconteça algo de bom em uma pista de verdade, como Melborne, Suzuka, Interlagos, Monza ou Spa, do que em coisas desenhadas pelo Herman Tilke no paintbrush de seu laptop.
E como somos otimistas, sempre, vamos ficar firmes e fortes à frente do aparelho de televisão torcendo para que a corrida australiana mantenha a tradição de ser sempre um GP
dos mais interessantes. Mas... A corrida é de madrugada, e este ano não abre o campeonato como em outras ocasiões.
Este fato, o de abrir o calendário, sempre garantia que nossa ânsia por assistir uma corrida nos mantivesse acordados e completamente ligados.
Este ano já não tenho tanta certeza de que isto vai acontecer.
Depois do banho de água fria da primeira corrida os menos aficionados talvez nem tentem ficar acordados para a largada.

Nós não... Nós somos F1 na veia e vamos assistir tudo... Dos treinos até a bandeirada final.
Mesmo que se repita a monotonia da corrida lingüiça – em gomos, sem um passar o outro - do GP do deserto, o que duvidamos, ficaremos firmes e fortes lá. Agora se você é dos que não agüentam, por um motivo ou por outro ficar acordado até a hora da largada vai aqui uma pequena contribuição.
É sempre bom armar algo para afugentar o sono. De preferência que dê bastante trabalho e que faça começar por volta das nove horas da noite.
Um lanche seria uma boa pedida.

Proponho então o fantástico: CRIATURAS DA AREIA. Ingredientes:
Um quilo de sardinhas.
Um quilo de fubá mimoso.
Um quilo de farinha de trigo.
Dois quilos de farofa.
Um pacote de queijo ralado.
Três ovos.
200 ml de leite.
Seis pães franceses amanhecidos
Seis polenguinhos... Modo de fazer.
Limpe os peixes tirando as escamas, e os intestinos dos bichos.
Se quiser tire também as espinhas, embora se você deixar elas no lugar vai demorar um pouco mais para comer o lanche depois de pronto, o que vai fazer você ficar mais tempo acordado.
Misture os ovos com o leite e ponha uma pitada de sal para garantir que não fique sem gosto a parada.
Besunte o peixe primeiro na mistura de ovos e leite, e depois na farinha de trigo e fubá mimoso.
Não se importe muito com a sujeira que isto irá fazer, é bom para se manter acordado também.
Frite os peixes.
Coloque os peixes em um recipiente e cubra com a farofa e o queijo ralado. Deixe-os descansando.
Abra os pães e amasse um polenguinho em cada.
Pegue um dos peixes que estavam escondidos sob a camada de farofa e coloque dentro do pão.
Sirva acompanhado com uma cerveja Cristal, ou o leite da Indy no Brasil.Se a confecção do lanche ou a limpeza da sujeira que ele produz não lhe mantiver acordado, com certeza o efeito da ingestão dele o manterá até altas horas da madrugada.
Só não sei se você vai conseguir ver a corrida...

20 de mar de 2010

Senna, 50 anos neste domingo.

Quando comecei o blog, este foi um dos primeiros textos originais que publiquei, fica aqui re-publicado como homenagem aos cinquenta anos que Ayrton Senna faria neste dia 21, se estivesse vivo.

Naquele dia dez de Outubro de 2006, Senna acordou mais cedo do que costumava acordar aos domingos. Afinal era dia de Gp Brasil de F1, e mesmo aposentado desde 1995 quando desiludido com a fragilidade dos carros Williams resolveu que era hora de parar.

Havia perdido dois campeonatos, 94 e 95 para um alemão até então desconhecido que pilotava um carro com nome de grife de roupas, mas que se revelara um excepcional piloto ganhando o mundial sete vezes, sendo cinco seguidas, ele já se sentia deslocado no circo.

Os rivais já não eram tão desafiantes, já não havia mais Prost, Mansell, e pior: Piquet já havia parado, 0 que impossibilitava Senna de dar o troco daquela ultrapassagem que tomara na Hungria em 86.
Em suma já não tinha tanta graça.

Mas acompanhava a F1 de casa, em Tatuí onde ficava a sede de suas auto-escolas que se espalhavam em filiais e franquias por quase todo o estado de S. Paulo.
Dos antigos amigos mantinha contato com Berger, com Barrichello. Atendia sempre que podia ao Reginaldo Leme e até quando não podia a Luiz Fernando Ramos, o Ico.
Respondia aos e-mails de Eduardo Correa e vez por outra mandava suas colaborações ao site Gptotal.

Só guiar é que não fazia mais.
Escapara ileso do acidente na Tamburello em 94 e continuou o campeonato com garra e coragem. Ouviu de Prost um sincero:
“-Se fosse comigo eu parava no dia seguinte e nunca mais entrava num carro na minha vida...”.
E de Piquet um irônico:
“-P... tinha de ser na mesma curva que eu?”.

Naquela manha sentou-se em frente ao enorme aparelho de TV de sua sala de estar cercou-se de muitos quilos de salgadinhos, batatas fritas e outros venenos comestíveis; um punhado de latas de cerveja, afinal ele também era filho de Deus - e não Deus, como queriam crer alguns fãs - e gritou para sua esposa que estava por perto.
“–Benhê, não me incomoda agora não que vai começar a transmissão da corrida...!”
E ela respondeu meio que alienadamente:
“-Mas de novo Ayrton... Você vê corrida todos os fins de semana... É formula 1; é A1Gp; é formula Indy; é Formula mundial; é cart e até o super-classicos você assiste... Assim não agüento...”.
“-Mas amor, a velocidade está no sangue...”.
“-Ayrton... os super-classicos nem correm muito.”
“-Benzinho... mas tem uns carrinhos lindos e até alguns bons pilotos...”.
“-Desisto, fica ai com este ronco de motor na orelha, vai...”.
E ele assiste tudo...
Os treinos livres da manhã, o warm up, os especiais antes da prova, e finalmente a largada.
Viu Felipe Massa disparar na frente tomar a ponta e não mais perder até a bandeirada final, como ele mesmo cansou de fazer quando corria pelo mundo afora.
A briga principal era entre o alemão e um espanhol, então atual campeão mundial que lutava pelo bi.
O alemão vencera em Monza e lá mesmo anunciara sua aposentadoria e agora precisava vencer o GP Brasil e torcer para que o espanhol não pontuasse...
O carro do espanhol era um foguete, mas, o alemão era o alemão. Então...

Largou em décimo, em poucas voltas já era o quinto, furou um pneu quando ultrapassou o italiano companheiro de equipe do espanhol. Caiu pra ultimo... Veio se recuperando, passando um por um.
Senna não piscava, passou por Barrichello.
Senna não mais mastigava.
Mais uma ultrapassagem. Senna dava outro gole na cerveja de olhos arregalados.
No fim da reta de largada na entrada do ‘s’ que leva o nome do brasileiro o alemão encosta no muro, se espreme todo e da um come num finlandês que faz Senna jogar salgadinhos e cerveja para o alto e gritar. “-É gênio, troca o nome deste ‘s’ pra “S de Schumacher!”.

Quando acabou corrida e o hino nacional foi ouvido o alemão não estava no pódio, mas nem precisava estar.
Chegou em quarto, ofuscando o titulo do espanhol.
No sofá emocionado ainda ouviu o alemão dizer que estava feliz por ter sido Felipe Massa o primeiro brasileiro a vencer no Brasil depois de Senna.
Então Senna ergueu sua lata de cerveja em tom solene e saudou o alemão:
“-Este é do c...”.

19 de mar de 2010

Art Blakey, apenas por que eu quero.

Não sabia nada da mãe, nunca viu sequer uma foto.
O pai os abandonara antes mesmo do nascimento do garoto.
Na verdade o casamento só aconteceu por que ela engravidou, mas ainda no dia da cerimônia ele achou um jeito de pular fora da vida de casado.
Algumas quadras depois de sair da igreja disse que iria comprar charutos, fugiu pela porta dos fundos da mercearia que tinha entrado.
Cinco meses depois do parto ela faleceu, muito provavelmente de tristeza.

O menino foi criado pelo melhor amigo da mãe, já que o pai – um mulato – o rejeitara com o incrível argumento de que a pele do filho era mais escura que a sua própria...
Na casa onde foi criado havia um piano onde o menino aprendeu a dedilhar sozinho, de ouvido.

Casou-se aos quatorze anos e aos quinze já era pai.
Para sustentar a família em plena crise econômica de 1929 teve de arranjar um segundo emprego – o primeiro era em uma mineradora de carvão – e então formou uma big band para tocar em um clube local em Pittsbugh, o Ritz.
Durante dois anos encarou uma jornada dupla: até as dezessete na mina de carvão e das vinte e três até o amanhecer tocava piano.

Porém quando a direção da casa resolveu trazer um show de Nova York, cujas partituras seriam executadas pela banda e o já então rapaz teve de admitir que não sabia ler música.
Nem teve tempo de argumentar que poderia aprender em pouco tempo, um pianista bem mais novo ocupou o lugar.
O moleque já tinha ouvido uma gravação com as músicas do show e graças a uma memória fantástica tocou as partes de piano tão bem que ninguém notou que ele também não sabia ler as tais partituras.
Seu nome? Erroll Garner, que pouco tempo depois veio a ser conhecido como um dos mais originais pianistas de jazz.

Irritado por ver seu emprego indo para o ralo, o nosso personagem reclamou, afinal vinha dirigindo aquela banda havia dois anos!
E então o dono do clube – que vivia com um trinta e oito enfiado na cintura – o colocou contra a parede:
-Cê vai continuar trabalhando aqui? – disse enquanto rolava o charuto de um canto à outro da boca.
-Eu quero... – disse o nosso herói.
-Então vai tocar bateria! – disparou.
O rapaz ainda tentou reclamar, mas ao ver a expressão no rosto do patrão entendeu que se quisesse manter o emprego – e os dentes – era melhor ir se sentar à banqueta e tocar da melhor maneira possível àqueles tambores.
E assim Art Blakey, durante as seis décadas seguintes de sua vida, fez com que os fãs jamais lamentassem o fato dele nunca mais ter voltado ao piano.

Poderia ter colocado aqui qualquer video com Art fazendo um solo, mas com o próprio dizia:
"-A bateria é o instrumento mais próximo da alma humana. Se seu coração não bate, você esta morto, se não anda andar no ritimo, não consegue andar. Tudo tem seu ritmo próprio.
E a performance de Art em Moanin' é como deveria ser a vida: simples e agradável.

18 de mar de 2010

Em gomos (igual linguiça)

Então a Red Bull sugeriu que fosse instituído o segundo pitstop nas corridas.
De forma obrigatória, diga-se.
Depois de reclamar um bocado do fim do reabastecimento surgem com esta pérola...
E o pior! Ganharam a simpatia de algumas outras equipes...
Pelo visto o povo lá não gosta de correr. Gosta é de parar. Bruno Senna e Lucas Di Grassi tiveram um final de semana relativamente feliz no infeliz GP do deserto.
Di Grassi ultrapassou quatro carros na largada, não se sabe se ultrapassaria mais algum antes do carro começar a desmanchar como leite em pó na água, mas... Se a Virgin (VRT é o cacete!) conseguir sanar seus problemas de confiabilidade (ninguém no mundo além do Branson confia nela) Di Grassi pode vir a ser uma das sensações da categoria.
Eu aposto nisto. Se bem que da ultima vez que apostei algo...
Já o Bruno Senna conseguiu dar quinze voltas no circuito do deserto (deserto de vida, deserto de emoção, deserto de tudo...) com um carro que não tinha nem sido testado previamente.
Só que diferentemente da Virgin (VRT é o cacete!) não há esperança de que a Hispânia consiga deixar aquela carroça competitiva nem em cem anos.
Como já havia dito: acho que o primeiro sobrinho fez a maior besteira de sua vida ao aceitar pilotar para os espanhóis...
Espanhóis, aliás, que andam bem quietinhos em relação a equipe nacional de F1.
Tudo bem que com o sucesso inicial do cara de almôndega velha na equipe dos carros cover não sobra espaço nas folhas espanholas para pentelhar o resto do mundo com outra coisa, mas é estranho não ter uma linha sequer tecendo loas a perseverança da equipe novata ou fazendo previsões sobre seu futuro fantástico na categoria.
Sinceramente, depois da campanha que fizeram para colocar o clone do Kiko na Ferrari (água mole em pedra dura...) imaginei que quando a equipe estreasse – se estreasse – logo apareceriam manchetes do tipo: “Hispânia ainda será maior que a Ferrari!” – ou – “Alonso sonha em pilotar uma Hispânia forte!”.
Assim mesmo, com pontos de exclamação.
Só que pelo jeito que a equipe está, nem o De La Rosa eles querem por lá. E finalmente minha contribuição para fazer da F1 2010 algo emocionante.
Primeiro o fim dos tilkódromos, depois a volta de todas as pistas tradicionais ao calendário em regime de urgência – Imola e Tamburello incluso.
Fim dos superfreios, quem quiser segurança plena que fique em casa no PS2 tomando tempo do Ide.
Depois um pouco de amadorismo na organização das corridas. Na Indy 300 deu certo.
Se quiserem correr em pistas sem tradição como o Bahrein, Malasya, Abundabe que ao menos seja em locais menos enfadonhos.
Sugiro um GP na Faixa de Gaza, sob a mira de atiradores do Hamas e de Israel. Se o piloto não tentar, ao menos tentar ultrapassar alguém na pista eles disparam.
E se ainda assim não houver emoção nas corridas então eles trocam de alvo e disparam em cima de Ecclestone, Todt e em quem mais vier com idéias esdrúxulas do tipo: atalhos e pits obrigatórios.
Eita ferro!


E já está no ar, sem encher linguiça, a nova edição da Rádio On Board, o pós fiasc... digo Bahrein.
Fábio Campos que ameaçou ir embora ganhou o direito de apresentar a edição e fez o que melhor sabe: Conduziu o papo brilhantemente.
Ao seu lado, como sempre, Felipe Maciel e eu.

17 de mar de 2010

GP do Bahrein, passa a régua e fecha a conta.


-Sahib, meu marido. Onde foi Khaled?
-Foi assistir o F1, Gôndola... Mas já deve estar chegando...
-E o que é F1, Sahib, meu marido?
-Sei lá mulher, deve ser algum tipo de futebol...
-Ah sim! Aquela coisa enfadonha... Que gosto estragado tem nosso filho...
-Sim... Fica ai perdendo tempo com esta coisa de ocidentais... Devia ir assistir os nossos esportes: turfe com camelo; arremesso de barril de petróleo; leitura mais rápida do Alcorão...
-Também acho, Gôndola, mas ele não quer e nós os bahrenitas não somos bárbaros, somos civilizados e não vamos brigar com ele por conta destes gostos esquisitos dele...

Enquanto isto Khaled chega a casa, com cara de poucos amigos.

-Salamaleico, baba, salameleico mama...
-Alecomsalamam, Khaled, como foi o tal do F1...
-Um tédio, baba. Um tédio...
-Igual ao futebol?
-Não, baba... Futebol não tem nada a ver com a F1...
-Como não, toda vez que você vai assistir ao futebol volta com esta mesma cara de camelo...
-Não, baba, só quando o jogo é zero a zero...
-Mas por quê?
-Por que zero a zero é sinal de que a partida foi chata, sem ação... Não é sempre, mas quase.
-Ah entendi... E o F1?
-Nada a ver, baba... F1 é corrida de carro.
-E por que foi chato então o tal do F1?
-Ah, baba... A corrida foi uma fila indiana... Enorme e chata. Ninguém passou ninguém, não teve uma batida forte dos carros, não teve nada de emocionante. Resumindo baba. Foi uma porcaria... Assim os bahrenitas nunca vão gostas da F1 mesmo, nunca vão lotar o autódromo...

Depois de dizer isto, Khaled sai da sala e vai tomar um banho, reclamando alto e sozinho, como todo bom habitante do Oriente médio...

-Sahib, meu marido. O que foi que Khaled disse sobre o tal do F1?
-Disse que foi chata, Gôndola...
-Por quê?
-Porque foi zero a zero...

16 de mar de 2010

F-Indy em Sampa

Foi memorável, apesar dos problemas e até mesmo por conta deles.
A Formula Indy desembarcou em São Paulo sob os olhares desconfiados dos fãs de automobilismo: pista nova; prova estreante...
Circuito de rua e em local pouco nobre da capital paulista, às margens de um dos rios mais poluídos – se não o mais do país: o Tiête, ponto de grande afluência de caminhões.
O que por si já garantiria um asfalto muito ondulado e contou ainda com um recapeamento feito às pressas, visto que a decisão de ter a corrida na cidade de São Paulo foi tomada em pouco menos de quatro meses por desistência da prefeitura do Rio de Janeiro.

Mas pistas de rua são assim mesmo.
Os bumps são normais, embora, talvez em alguns pontos da pista - como a grande reta da Marginal - me parecessem um tanto exagerados.
Os circuitos de rua dos EUA e do Canadá não ficam muito atrás, e aqueles montados em aeroportos então tem até buracos.
Surgiu o problema da aderência na reta do Sambódromo, que, diga-se de passagem, a organização – a gringa, não a nossa – já devia imaginar ou saber.
A Williams tentou fazer um evento promocional ali e não conseguiu, perdendo dois motores em questão de minutos por conta do alto giro dos motores em falso e sem refrigeração adequada.
Porém até isto foi contornado à tempo lixando a pista e criando uma espécie de “groove” na reta de concreto.
Tudo bem que deixou como efeito colateral a poeira toda que ocasionou o acidente na largada, mas ao menos não fez com que adiassem ou cancelassem a corrida. Havia o medo da chuva, e ela veio com força mostrando as deficiências de drenagem que não só a pista, mas toda a cidade de São Paulo tem.

No fim, o que poderia parecer atos falhos da organização, ou mesmo ser confundida com desorganização acabou por mostrar que a categoria é humanizada, sujeita a erros, mas que aprende com eles e busca solucionar os problemas da forma mais rápida e eficiente possível.
E só para lembrar: foi apenas a primeira prova disputada ali.
Para o ano que vem serão feitos os ajustes finos e tudo vai correr mais a contento ainda.

A prova foi interessantíssima, muito emocionante do ponto de vista esportivo, com muitas ultrapassagens, algumas barbeiragens e manobras arrojadas.
E posso dizer sem medo de errar ou parecer exagerado: foi muito, mas muito mais melhor que a procissão da F1 no tilkódromo bahrenita.

Único senão foi a cara de nojo do vencedor da prova, Will Power, quando lhe foi oferecido no pódio uma caixa do leito Bom Gosto, uma das marcas mais repulsivas de suco de vaca vendidos na capital.

15 de mar de 2010

Ava(ca)liações bahrenitas

A corrida foi um tanto chata, uma largada chata, um desenrolar chato e um vencedor mais chato ainda.
Conseguindo a ultrapassagem sobre Vettel de uma forma chata e comemorando no pódio com um verdadeiro chato.
Asnonso não me agrada em nada, a não ser quando abandona a corrida, mas como isto agora tem poucas chances de acontecer vamos ter de agüentar este cara almôndega velha por muitas vezes...

Não quero aqui começar nenhuma teoria da conspiração, mas a ordem do engenheiro para que Felipe Massa mudasse a mistura de combustível para “pensar nas próximas provas” enquanto o outro continuava acelerando foi no mínimo esquisita...
Agora é hora de ver se Massa vai aceitar este tipo de coisa passivamente, barrichellando sua carreira ou vai botar a boca no trombone e reclamar.

Hamilton veio quietinho e conseguiu o pódio. Azar do Vettel que dominou a prova e não conseguiu ganhar por problemas mecânicos.

Rosberg nem isto... Com o carro em ordem não conseguiu chegar e ultrapassar o alemãozinho.
Assim, quando o alemãozão Schumacher voltar às boas com o carro e com o físico vai sovar seu companheiro(a) de equipe com a facilidade que surrava o 1B...
A corrida foi tão chata que a torcida arrumou outras formas para se divertir nas quase duas horas de prova.
É... o Asnonso ganhou... E daí?
Tem que melhorar este carro, Mercedes... Tem que melhorar....
Fica com vergonha não, rapaz... Para o carro que ce tem até que foi bom... Teu companheiro de equipe nem conseguiu terminar...
Karun Chandock foi o primeiro piloto a abandonar uma prova de F1 este ano, palmas para ele...
Terceiro não foi ruim... Mas também não poderia ser melhor, o carro ainda não deixa. A Mclata até tem outro piloto, mas quem liga?

Eis aí um caso raro... Esta japonesa entre os dois pilotos da Mclaren tem três braços... Pode contar... Ou tente descobrir de quem é o braço que está no onbro do Button...