30 de jun de 2015

F-Iphone

Um título é sempre um título, ok... É melhor ser campeão que último colocado.
Um título mundial é ainda mais relevante. Ok!
Mas a forçada de barra para que o título de Nelson Piquet jr. seja reconhecido como “a grande coisa” chega a ser hilária.

Quem hoje se lembra do primeiro campeão da A1GP?
E o campeão da Grand Prix Master?
E do campeão da Superleague Formula?
Em dois anos, no máximo três, ninguém vai se lembrar do campeão da Formula E.
Isto se não se esquecerem do que catzo era a Fórmula E com seus carros tristemente feios, sem som (ou com aquele irritante barulho de motor de dentista) e seus pilotos manetas rejeitados em outras categorias.

A coisa chega a lembrar daqueles times de futebol que passam às vezes dez, quinze anos sem ganhar nenhum título e então ganham o torneio municipal, um torneio amistoso, um campeonato de masters ou mesmo um desfile de escola de samba e todos os seus torcedores querem ir para a praça gritar é como se tivessem sido campeões mundiais em cima do Barcelona jogando em Tóquio.

E para terminar um fato que diz muito sobre esta categoria de liquidificadores sobre rodas: O troféu é – e tinha de ser – um ventilador.
E nem é Arno...

29 de jun de 2015

Venceu?

#LoveWins.
Assim terminava o tweet do presidente norte americano Barack Obama logo após a Suprema Corte daquele país garantir constitucionalmente o direito ao casamento para homossexuais.
É uma notícia para se comemorar e não só pela comunidade gay, mas por todos aqueles que entendem que a vida de cada qual é de sua própria conta, mas nem por isto devem ser colocados à margem dos direitos que todo ser humano tem (ou deveria ter).
E neste caso amar e viver sob o amparo dos direitos que casais heterossexuais já têm.

Mas será que o amor venceu mesmo?
Por mais feliz que se possa ficar e demonstrar com declarações ou participando de ações em redes sociais (foi interessante a onda das fotos com filtro nas cores do movimento, só não fiz por pura preguiça), fica esta duvida.
E a resposta é triste, creia... Não venceu.
Ainda.
O amor vencerá quando não for mais preciso leis para garantir aquilo que bastaria apenas o bom senso para ser aceito.
Foi um passo gigantesco dado dentro de um dos países que mais influenciam o restante do mundo, mas por enquanto nada de vitória.
Foi só mais uma batalha e a luta continua e é preciso mudar a cabeça dos indivíduos, coisa que infelizmente leis não fazem.
Até lá #LoveWillWin.

26 de jun de 2015

Promessas perdidas do automobilismo brasileiro

Reginaldo Troiano: 
Nascido em Goiânia-GO, começou no automobilismo aos cinco anos pilotando um triciclo velotrol. Ousado, foi o primeiro a fazer curvas apenas em duas rodas.
As outras crianças de sua idade choravam ao vê-lo ganhando todas as corridas.
Pilotou bicicletas e fazia o menor tempo no circuito de entregas de jornal de seu bairro.
Aos quinze debutou no kart; fez carreira rapidamente sendo campeão já em seu primeiro ano.
Passou aos Fuscas e depois para os carros de formula.
Seu sonho? Claro... Um dia chegar a F1.
Em 1987, dias antes de embarcar para a Europa morreu em um acidente quando o Ford Belina que dirigia bateu na traseira de um caminhão com placas de João Pessoa - PB.

Luca Dabreu Cunha. 
Este nasceu em Minas Gerais e não se sabe o que fazia em termos de pilotagem na infância.
Os primeiros registros datam de sua adolescência.
Campeão de “rachas” em torno da Lagoa da Pampulha e de tanto tomar multas com os carros do pai foi matriculado em uma escolinha de pilotagem em São Paulo.
Foi notado pelos pilotos professores que enxergaram nele um grande talento.
Levado a competir por todo o país logo foi contratado por uma equipe de carros de turismo européia.
Resolveu então voltar a Minas dirigindo seu VW Passat para dar aos parentes a boa noticia do contrato para correr no velho continente.
Infelizmente em 1987 colidiu seu carro com a traseira de um caminhão registrado com placas de João Pessoa – PB em plena rodovia Fernão Dias.

Leonardo Bulca Jr. 
Vulgo “Bulcão”, oriundo do Rio de Janeiro.
Campeão em todas as categorias em que esteve inscrito despontou para o cenário nacional após vencer uma etapa do rali da Independência.
Levado para fazer testes em equipes da antiga categoria de Opalas Stock Car.
Tinha um estilo selvagem que muita gente chegou a comparar com Gilles Villeneuve. Com um tanto de exagero, obvio.
Convidado a participar de uma das etapas do campeonato de endurance  por uma equipe satélite da Peugeot, comemorou fazendo o trajeto entre São Paulo e Rio de Janeiro em apenas quatro horas pela Via Dutra batendo assim dois recordes: de velocidade e de quantidade de multas por excesso de velocidade em rodovia.
Na volta foi impedido de dirigir – estava com a carteira apreendida – viajou o tempo todo dormindo no banco do carona de uma Mercedes 280 SL que infelizmente se acidentou com a traseira de um caminhão com placas de João Pessoa - PB.
Tinha vinte e oito anos em 1987...

João Jose Olivensa:
Conhecido como Jãosé.
Nunca aspirou ser piloto de competição e nem teve sua vida ligada aos carros.
Quando criança ajudava seu pai em uma oficina de marcenaria em Goiânia.
Com a crise mudou-se para Minas Gerais onde trabalhou como ofice boy por dois anos.
Em 1987, depois de casar-se foi tentar a sorte no Rio de Janeiro, desempregado aceitou a única oportunidade que lhe foi oferecida.
Tornou-se então motorista de caminhão de uma empresa sediada na Paraíba - mais precisamente em João Pessoa - e com escritório e representação carioca.

25 de jun de 2015

Odiado?

In Through the Out Door (1979) foi o ultimo disco lançado com todos os integrantes Led Zeppelin ainda vivos e carrega o estigma de ser o disco mais odiado da banda.
Se não pelos fãs, que hoje podem não ter mais a mesma opinião sobre o álbum, mas pelos próprios integrantes do grupo.
Todo o clima ruim que havia se instalado com a doença e morte do filho de Robert Plant e o galopante alcoolismo de John Bonham contribuíram para que o disco fosse feito meio que de qualquer forma.
Tanto que Jimmy Page chegou a dizer tempos depois que o disco era um álbum solo de Plant lançado como sendo do Led Zeppelin.
Disse também que não estava interessado em All My Love e que aquele tipo de som, com aquele refrão não representava o que era o Led de forma alguma.
Com a exceção de In The Evening nada ali lembra o que a banda já havia feito em termos de som pesado. Nem o bom blues I´m Gonna Crawl consegue fazer emergir o Led de outros tempos.
Porém, apenas Carouselambra com seus mais de dez minutos de duração, voz afundada na mixagem e teclados onde deveriam estar camadas de guitarra chega a ser realmente irritante. De resto, o disco é até bastante agradável.
Na modesta opinião deste que escreve, Presence (1976) é bem inferior.
De saída foi ignorado pelos fãs e suas vendagens não eram as mesmas de outros discos, mas após a morte de Bonham o disco deslanchou e vendeu mais de sete milhões de cópias.
Coisas da necrofilia da arte, diriam alguns.

24 de jun de 2015

Crônica do GP: Papos entre Alonso e Kimi após o acidente

Alonso: -Que porrada!
Kimi: -É... Que porrada.
Alonso: -Cê viu o que aconteceu?
Kimi: -Algum idiota bateu na gente...
Alonso (irônico): -Também acho.

Kimi: -Caraca, que foi aquilo?
Alonso: -Não sei, quando vi já tava porrado.
Kimi: -Acho que perdi a direção.
Alonso: -Olha lá dentro do meu carro... Deve estar lá.

Alonso: -Você tá bem?
Kimi: -Tô e você?
Alonso: -Também... Olha para trás e vê como ficaram os carros.
Kimi: -Vixe... Desculpa ai.
Alonso: -Relaxa... Pelo menos você já tem o que fazer quando encerrar carreira.
Kimi: -É? O que?
Alonso: -Escultor surrealista.

Alonso: -Pqp cara! Queria me matar?
Kimi: -Eu não te vi ali.
Alonso: -Mentira...
Kimi: -Não vi mesmo, juro.
Alonso: -É... Não deve ter visto mesmo, tá falando comigo olhando pra esquerda e eu to na direita...

Kimi: -Alonso, cê tá bem?
Alonso: -Eu to... Mas... Cadê o Maldonado?
Kimi: -Maldonado?
Alonso: -É... Uma panca idiota desta só pode ter sido obra do Maldonado.
Kimi: -(silêncio constrangedor.)

Kimi: -Cara, desculpa, soube que além de te tirar da corrida, ainda quebrou seu motor.
Alonso: -Relaxa, não foi culpa sua quebrar o motor na pancada.
Kimi: -Mas é chato pô... Cê vai ser punido pela troca para a próxima corrida.
Alonso: -Já disse: relaxa. Eu corro pela McLaren, já estou punido por natureza.

23 de jun de 2015

Lado B do GP: Áustria irônica

O lado B começa com a McLaren, grande novidade.
Vinte e cinco posições de punição para um e o outro é punido por natureza.
Largaram lá do fundão, sem expectativa nenhuma.
E para ajudar, um deles acabou com as expectativas do Kimi.
Foi feio... Mas foi engraçado.
Há duas leituras para o acidente.
Kimi escorregou sozinho e ferrou Alonso.
Alonso tocou a traseira do Kimi e o ferrou.
De fato é que os dois saíram da prova.
Se seja qual for o motivo do acidente, em algum lugar da pista, ao ser avisado, Maldonado riu um riso de vingança.

E Button logo após a relargada abandona a prova.
Honda, os únicos motores nicômicos (junção de nipônico com cômico) da categoria.

E Hamilton zurrou...
Não foi muito alto, mas zurrou.
Passou com meio carro por cima da linha branca da saída dos boxes.
Resultado: cinco segundos acrescido ao tempo final da prova.
Nesta hora, pensaram Alonso e Button: “-Ainda bem que não fomos nós... A punição seria de cinco minutos.”.

Uma corrida pode ser considerada muito estranha quando Alonso e Kimi batem o carro de forma esquisita e Maldonado termina a corrida sem ter feito besteira alguma...

E por fim, Roberto Merhi terminou na sua melhor posição no ano: décimo quarto.
Atrás dele só os que abandonaram... Chupa Alonso.

21 de jun de 2015

F1 2015: Áustria - A corrida das expectativas (frustradas)

Não... A corrida não começou sob a desconfiança de que os pilotos da Mercedes pudessem fazer alguma bobeira.
O carro foi resetado, os bugs foram tirados e a confiança de que ele iria de boas até o fim da corrida, apesar dos cones, foi restaurada.
Nada como a tecnologia para fazer de dois Zé manes, grandes ídolos.

Mas ai veio a largada, bonita, disputada pelos dois carros da Mercedes – apesar dos pilotos – e quando o cone #44 tentava recuperar a ponta, lá atrás, um vindo da cidade vizinha, onde largou, e o outro indo para lá, Alonso e Kimi se envolvem no acidente mais forte – plasticamente falando – do ano.
Os dois desceram do carro, se cumprimentaram, e após alguns passos olharam para trás. Não fossem Kimi e Alonso, provavelmente ficariam de pernas bambas ao ver o resultado.
Safety car na pista.

Na relargada, tudo limpo e nada de novidades... Inclusive, para corroborar a tese, Button abandonou com seu cortador de grama inglês com motor nipônico.
Quem diria que um dia veríamos os carros de Ron Dennis em situação tão vexaminosa, onde abandonar uma prova é a melhor coisa que pode acontecer à equipe para que não sejam mais humilhados ainda...
Triste... Triste? Triste nada... Vai Williams!

Logo a corrida entrou em modo de espera, com um monte de piloto em modo safety a coisa ficou um tanto monótona.
Nem a tentativa de Lewis Hamilton em atrapalhar a grande corrida de seu carro, passando por cima da linha branca ao sair dos boxes, deu alguma graça à coisa.
A ridícula punição de cinco segundos – que só seria mesmo válida se ele tivesse outro pitstop a fazer – nem fez cócegas para que quem viesse atrás se animasse.
E era o Massa, que andando em terceiro já estava no lucro em relação ao seu sempre sétimo lugar habitual.
Em tempo... A punição é ridícula, mas está na regra claramente explicada, nada de errado com ela.

E assim chegou-se ao final de uma corrida de expectativas frustradas.
Tão frustradas quanto à briga final entre Felipe Massa e Sebastian Vettel, que não houve.
Assim foi vitória do cone #6 seguido pelo cone #44 e Felipe Massa, que teve um bom final de semana coroado com o pódio.

Se não foi a melhor corrida do ano, também não foi a pior.
A pista, ao menos, salva os olhos da mesmice.

19 de jun de 2015

A MELHOR NOTÍCIA DO ANO

Tinha outras coisas para escrever.
Tinha coisas talvez até mais importantes.
Tem corrida de F1 na Áustria no domingo...
Mas foda-se!
Nenhuma notícia desta semana vai ser melhor que a confirmação de um novo disco do Iron Maiden.

Após cinco anos do lançamento de The Final Frontier, a banda ressurge com um álbum de inéditas: The Book of Souls tem noventa e dois minutos divididos em onze faixas.
Disc 1
1. “If Eternity Should Fail” (Dickinson)
2. “Speed of Light” (Smith/Dickinson)
3. “The Great Unknown” (Smith/Harris)
4. “The Red and the Black” (Harris)
5. “When the River Runs Deep” (Smith/Harris)
6. “The Book of Souls (Gers/Harris)
Disc 2
7. “Death or Glory” (Smith/Dickinson)
8. “Shadows of the Valley” (Gers/Harris)
9. “Tears of a Clown” (Smith/Harris)
10. “The Man of Sorrows” (Murray/Harris)
11. “Empire of the Clouds” (Dickinson)

É a primeira vez após o advento dos CDs que a banda lança um álbum duplo com canções inéditas. Fear of the Dark, de 1992 era duplo apenas em vinil, que na época não era lançado apenas para efeito de enfeite para hipsters ou colecionadores.
O novo álbum também será lançado em CD edição de luxo com um livro, vinil triplo (heavyweight), arquivos de áudio de 16 e 24 bits.

Mais do que um novo trabalho (o que por si só já é algo a se comemorar muito) o disco aparece logo após as notícias de que Bruce venceu o câncer, embora aparentemente tenha sido gravado antes da descoberta da doença.
Como sempre, Steve Harris e Bruce Dickinson soltaram seus pré-releases se dizendo muito felizes com o novo disco, que foi muito divertido tanto compor quanto gravar e que estão ansiosos para que os fãs ouçam.
Não mais que nós, com certeza.
E também deixaram claro que levarão o disco para a estrada em 2017.
Tomara que passem por aqui.

Até o momento em que fechava o texto não havia nenhuma faixa divulgada ou vazada na internet, vai a melhor faixa do último disco da banda.
UP THE IRONS! 

18 de jun de 2015

ABC, abc o extintor que você terá que ter (dsclp)

Esqueça o tal “estado impositor” por alguns instantes ou, neste caso especifico a chamada “indústria da multa.”, este texto é sobre a obrigatoriedade de alguma coisa, seja lá o que for neste país.
Pense na mudança do padrão de tomadas de dois para três pinos, na discussão para uma futura padronização de entradas para carregadores de celular e, o que nos importa aqui, a – novamente - adiada obrigatoriedade dos extintores do tipo ABC nos veículos automotores.
Sabe-se que as tomadas de três pinos agregam uma questão de segurança e que a padronização dos carregadores gera conforto aos usuários.
Discuta-se isto ou não a legitimidade dos argumentos.

Mas... E os extintores?
Se tão necessários porque então o terceiro adiamento da entrada em vigor da lei que os torna obrigatório?
E a pergunta mais inquietante: Se grandes fabricantes de automóveis pelo mundo afora como os EUA, Alemanha, Suécia, China, Canadá e Itália (que fabrica as churrasqueiras sobre rodas Ferrari) não obrigam, a Inglaterra só obriga em ônibus e taxis e Dinamarca, Noruega e França apenas aconselham a presença do extintor, porque catzo aqui tem de ser OBRIGATÒRIO?
Será que os carros fabricados aqui (ou importados) tem maior probabilidade de entrar em combustão espontânea ou pegar fogo e explodir em uma colisão como os veículos do cinema americano?
Ainda estamos nos tempos de Fernando Collor e fabricamos carroças? A indústria automobilística brasileira está tão atrasada em relação aos outros países no que tange à segurança veicular?
Sabe-se dos vários modelos reprovados ou com notas baixíssimas nos crash test, mas pegar fogo?

Salientando que não se trata aqui de dizer o óbvio de que “alguém está ganhando dinheiro”... Claro que está, mas algo diz que vai além.
Parece ter algo haver com vaidade de legislador em criar leis que estariam “na vanguarda mundial”. Na esperança de algum outro país importante copie ou no mínimo elogie a medida.
Pensando nisto, aqui vão algumas outras sugestões de lei que também colocarão o país em posição de pioneirismo em relação às maiores potências do planeta.•.
A obrigatoriedade de ter à mão cubos de gelo.
Vai que por algum motivo você encontre uma bebida que não esteja gelada...
Mais à frente, por questões de aumento na segurança a lei será modificada e a obrigatoriedade será de cubos de gelo feitos de água de coco.

A obrigatoriedade de ter sempre no carro carne e espetos de churrasco.
Se o carro pegar fogo e os extintores ABC não der conta de apagar, fica obrigatório que o motorista use o fogaréu e asse uma carninha para os outros motoristas que, invariavelmente, vão parar para assistir o espetáculo ou – no mínimo – vão passar bem devagarzinho fodoscando todo o transito no local.

Obrigatoriedade daquela coçadinha no saco ser com a mão direita.
Canhotos terão de apresentar documento oficial obtido no DCS (Departamento de Coçada de Saco) autorizando o uso da mão esquerda.
Mulheres ficam isentas por motivos óbvios.

Obrigatoriedade de que todo papel higiênico produzido e vendido no país seja enriquecido (sabe-se lá como) como vitamina E.
Pela saúde dos cús nacionais, ainda que não se saiba se eles absorvem a vitamina apenas por se ter esfregado um papel nele...

17 de jun de 2015

Comédias da vida real na F1 #17: Áustria 2002

Para muitos não teve graça alguma.
Para ele, obviamente, teve menos ainda.
A situação é no mínimo tragicômica, embora aqui não se trate desta forma o acontecido.
O fato é que aquela corrida na Áustria em 2002 se tornou icônica ao expor o duro e cruel mundo da F1 e - mais especificamente – da Ferrari.

Todos sabem hoje e quem não fosse extremamente pacheco ou alienado que o primeiro piloto da equipe era Michael Schumacher.
Foi contratado para isto dentro de um plano de revitalização da equipe que com o tempo se provou ultra vencedor.
Para Rubens Barrichello cabia a parte de ser o fiel escudeiro. O cara que soma pontos para o campeonato de construtores e – vez por outra – belisca uma vitória.
Rubens também sabia disto apesar de nunca ter dado o braço a torcer sobre o assunto.
Então seria natural que o time trabalhasse, na pista e fora dela, pelas vitórias do alemão.
Isto deveria incluir peças mais novas e melhores, trabalho de boxes mais rápido e eficiente, mas... Pedir a posição do companheiro de equipe? Podia?

Pelo regulamento até então, nada havia de errado, mas eticamente...
Rubens fez uma de suas melhores corridas na carreira não dando chance sequer de Michael se aproximar para tentar uma ultrapassagem.
Pedir (ou exigir como se disse depois) que cedesse a vitória pelo campeonato, com ameaças (segundo Rubens e alguns jornalistas) a carreira foi algo terrível.
A forma como foi feita piorou toda a situação: nos últimos metros antes da linha de chegada.
O público desabou sobre a equipe como tempestade. Vaias, recriminações, sinais de negativo (com o polegar virado para baixo) criticas de todos os lados.
Para quem contestava ainda, que timidamente, o papel de Rubens na equipe, tudo se amplificou.
Para quem não era torcedor do time, deu motivos para não gostar mais ainda.
E quem quis - como eu - riu até perder o fôlego com a inusitada narração (brilhante!) de Cleber Machado. Adiantou?
Sim e não... A FIA reviu a regra sobre jogo de equipe um tempo depois, mas a própria Ferrari não parou com a prática.
Basta lembrar do “Felipe, Fernando is faster than you...” na própria Ferrari, do “Multi 21” na Red Bull e mais recentemente a ordem ignorada por Felipe Massa na Williams quase nos mesmos moldes que havia recebido na Ferrari.
Só que estes não foram tão engraçados assim... Talvez fosse o conjunto da obra no caso do Rubens...  Vai saber.

16 de jun de 2015

Para assustar

Lauda e sua boca grande: “-Carros de F1 tem que assustar mais”.
Por assustar entenda-se ser mais rápido, o que – segundo o austríaco – aumentaria a dificuldade em pilotar.
“-O jovem chega a F1 e não se assusta mais com a velocidade dos carros... Quando eu saí da F2 para a F1 caguei nas calças (de medo).” – disse.

Obviamente não é descabido o que diz o velho tri campeão.
Para se ter uma ideia, a melhor volta de um carro de GP2 em alguns circuitos é tão rápida quanto às de alguns carros de fim e meio de grid da F1.
Em matéria recente de site especializado foi dito a pole de Lewis Hamilton no Canadá não seria sequer décimo colocado na mesma pista há alguns anos atrás.
Mas, aqui neste espaço vale (de vez em quando) a subversão e distorção das frases soltas então o “assustar mais” ganha significados mais literais.
Seguem algumas sugestões então para que os F1 assustem mais.

Ronco de motor mais alto, mais intenso e mais forte: como o ronco do estômago quando temos fome...

Pinturas mais agressivas.
O vermelho tradicional da Ferrari, este preto/cinza medonho da McLaren, os tons de prata cansativos da Mercedes sumiriam.
Em seus lugares que tal pintura do Romero Britto? Se aquilo não assusta, nada mais faz.

Avisos no painel do carro dando conta de que se não acelerar o carro vai explodir.
Ou.
Force ultrapassagem ou o carro vai pegar fogo ainda em movimento. Vai diminuir a velocidade, mas não vai parar.

Por último uma sugestão particularmente cruel.
Pintar no bico dos carros a inscrição: Maldonado in this car.
Vendo isto em seu retrovisor, duvido que o piloto não se borre todo.
Você deve estar se perguntando... E se for o próprio Maldonado vendo isto em seu retrovisor?
Melhor ainda... Com o susto de ver outro ele nas pistas, o venezuelano iria acelerar mais ainda e assustar quem tivesse a sua frente... E ultimamente um monte de gente vai a sua frente.

15 de jun de 2015

Evoluindo para regredir - ou - A ignorância é cíclica

Em um grupo do Facebook, um conhecido jornalista especializado em música fez uma postagem sobre o caso daquele cientista prêmio Nobel que falou que mulheres em laboratórios criam distração...
A opinião do jornalista sobre o assunto não importa aqui, nem a opinião do comentarista que – usando da prerrogativa do site de ser uma rede social – socializou sua opinião um pouco diferente do que disse o graduado escriba.
O que importa foi a reação do jornalista à opinião colocada pelo comentarista.
Vale salientar que a posição do rapaz foi colocada de forma ponderada, educada e até de forma muito respeitosa.
Agressivo, o “famoso” ameaçou bloquear, usou de palavrões na área pública e não contente ainda o fez particularmente usando a área inbox.
Tudo por conta de uma opinião contrária sinalizando claramente que “comigo só fica quem pensa igual a mim”

O curioso e que o mesmo jornalista pede em outras diversas postagens sua por liberdade de expressão, mais além, pede respeito às diversidades, sejam elas quais forem.
Louvável... Mas falso para caramba!

O caso é apenas um, mas serve como ilustrativo de como anda o nível de babaquice e hipocrisia reinante na cabeça (pequena e idiotizada?) das pessoas.
Cidadãos (famosos, anônimos, formadores de opinião, seguidores) se esgoelam pedindo liberdade de expressão, mas não respeitam a expressão livre do outro.
Exige, ainda que seja na porrada, respeito às diferenças e o abraço à diversidade livre de preconceitos, mas age como um celerado assim que detecta diferença no pensar alheio.

Lembra os homens das cavernas que se uniam em tribos, grupos e afins para sobreviver e quando encontravam indivíduos de outras tribos, grupos e afins os perseguiam e os matavam.
Trocentos milhões de anos do ser humano buscando a evolução para chegar a um ponto exatamente igual ao dos primitivos.
Fecha-se em grupos e ataca grupos diferentes.
A diferença (vejam só...) é que agora são intolerantes racionais pedindo à outros uma tolerância que não tem. E nem é para sobreviver.
O ser humano pode até não ter dado errado (ainda), mas caminha a passos largos para tal...

12 de jun de 2015

Pattie Boyd

Quem disse que canções de amor têm de ser melosas?
Quem inventou isto nunca ouviu “Layla”.
A canção gravada no disco Derek and the Dominos de 1970 e que na realidade é o primeiro disco solo de Eric Clapton é uma ode ao amor não correspondido.

Após tocar com os Yardbirds, John Mayal´s Bluesbrakers, Cream e até – por pouco tempo -com o Blind Faith, Eric resolve se lançar solo e convida alguns colaboradores para ser seu time de apoio.
Diz a lenda, que após a primeira apresentação do grupo alguém perguntou a Eric qual seria o nome da banda.
-Eric and the Dynamos. – respondeu o guitarrista.
-Como? Derek and the Dominos?
-É, é...  – e sai andando.
Se não era, ficou sendo.

E neste primeiro disco, Eric que sempre foi chegado a fazer de suas canções válvulas de escape para seus sentimentos, cunha uma das mais memoráveis canções de amor não correspondido da história: “Layla”.
Feita para Pattie Boyd que à época era esposa de George Harrison - um dos melhore amigos de Eric - que parecia preferir “Something” ao trabalho de Clapton, a canção passa longe de ser melosa.
Em grande parte por culpa – ou mérito – de Duane Allman, que convidado para uma participação especial no disco, pilotou sua slide guitar como se esta fosse um trem desgovernado. Resultando em um dos riffs mais famosos e devastadores do rock até desembocar no final da canção com um lindo solo em contrapondo o piano elegantemente sóbrio e angelical.



O já veterano produtor Tom Dowd, conhecido à época pelo mau humor e pela má vontade com que tratava os singles que produzia, após a sessão de gravação da musica, saiu dos estúdios dizendo: “-Esta porra é o melhor disco que fiz em dez anos!”.
Porém o reconhecimento de quem mais importava demorou um pouco a vir.
A canção só chegou a seu ponto mais alto nas paradas – quarto lugar – dez anos depois e Patti só levou seus belos olhos azuis para junto de Eric em 1979.

11 de jun de 2015

F1 em balas klaps

E Niki Lauda deu a letra sobre o que pensa da atual situação da F1: “-Não cabe a Mercedes deixar a F1 empolgante.”
Obviamente que não... E mais: “-Se alguém conseguir deixar a F1 empolgante, a gente sai da categoria...”.

Ou em outra leitura.
“-Não cabe a Mercedes deixar a F1 empolgante.”.
E completou: “-Já nos coube deixá-la insossa com carros maravilhosos e pilotos cone sem expressão, talento, feeling, carisma, etc.”.

Vamos mais longe...
Tem um cidadão ai que tem o hábito de seguir pessoas no twiter para quando for seguindo de volta dar unfolow, que tem a mania de postar fotos de bicos quebrados dizendo que são modificações aerodinâmicas que ninguém viu (só ele) fez uma manchete suspeita dando conta de que Vettel estaria de saco cheio da F1.
“Vettel diz que não sabe como alguém consegue acompanhar a F1” – escreveu.
Mas não, meu caro criador de fakes nos comentários...
O alemãozinho não falou isto em relação à parte desportiva da coisa e sim pelo lado do regulamento.
Tanto que disse: “-Não imagino como alguém pode seguir a F1 sem estar envolvido com ela sete dias por semana como eu estou...”. Falando sobre a complexidade dos regulamentos e seus pontos escuros como as punições já classificadas pelo Ico como estúpidas.
Vettel também falou do preço dos ingressos, sim...  Mas até ai.
O que não se faz por uns cliques né?

Red Bull e Daniel Ricciardo estão inconformados com o rendimento do carro no Canadá.
Foi a pior corrida dos enlatadores de xixi de boi em muitos anos.
Daniel Ricciardo será contemplado com um novo chassi para a corrida na Áustria, cada do time.
Já o time sugeriu uma menor distância entre as corridas do calendário.
Um novo chassi para um motor horroroso...  Só não é pior que os Honda.
E menos espaço entre corridas me pareceu uma forma correta de acabar com a má fase da equipe.
Pelo menos em termos de tempo, já que o campeonato acabaria antes...

A Ferrari quer a abertura da regra de motores já para 2016.
Em causa própria, claro... O motor deste ano é muito bom.
O carro também, mas o motor foi um grande acerto.
O problema é que as outras não estão muito afins... Entenda-se Mercedes.
Não entendo o medo, já que abrindo para uma, todas teriam a mesma oportunidade.
A Renault, por exemplo, pode deixar o que é ruim ainda pior... E a Mercedes... Bem... A Mercedes que se foda.  Uma hora o carro fica ruim e ai não tem motor que resolva.
Prova disto é que há outros times com o motor alemão que não conseguem chegar à frente da Ferrari.
Deve ser medo da Honda... Porque japonês quando enfia na cabeça que vai melhorar algo...

10 de jun de 2015

Crônica do GP: Entrevista com a estrela da corrida canadense

Ele foi o astro da corrida canadense.
Brilhou mais que Massa e Vettel que fizeram grande corrida e muito mais que os dois cones que ocuparam o lugar mais alto do pódio.
Com vocês a entrevista mais difícil até aqui neste blog.

Ron Groo: -Muito obrigado por aceitar falar conosco.
Marmota Mark: -Não tem de que... Achei que era a hora e a vez de ter voz.

RG: -Sua turma é muito comum ali na ilha, não?
MM: -Sim... Somos uma espécie numerosa por ali... Faz anos que chagamos.
RG: -Vieram de onde?
MM: - Dos EUA... Cansamos de ficar por lá sendo tirados da toca pra marcar o fim do inverno.
RG: -É lenda isto?
MM: -Não... É real... Tão real quanto o talento do Lewis...
RG: -Então este foi o jeito que encontraram para mostrar desagrado com a situação?
MM: -Sim... Mas antes fizemos a parada do orgulho marmota.
RG: -E deu no que?
MM: -Em nada... Ficam uns trouxas discutindo de um lado, outros falando merda do outro e os problemas seguem sem solução.

RG: -Mudando de assunto. Você não ficou assustado?
MM: -Na corrida?
RG: -Sim...
MM: -Não.
RG: -Por quê?
MM: -Porque marmota ouve mal... E o som destes carros ai não é lá estas coisas. Logo...
RG: -Mas você podia ter sido atropelado?
MM: -Nada... Era uma Williams que vinha vindo e logo atrás uma Ferrari. As duas equipes tem piloto. Agora... Se fosse as Mercedes eu ficaria preocupado... Sabe como é: dois motoristas nós cegos.

RG: -As corridas são uma ameaça a sua espécie em pequena escala não? Já que é apenas uma corrida por ano e o evento todo dura três dias.
MM: -Nada... Tantos anos que há corrida lá e quantas vezes você viu uma marmota na pista?
RG: -Acho que esta foi a primeira...
MM: -Pois é... É mais fácil ver uns burros, umas antas pilotando que uma marmota atravessando a pista... E o evento durar três dias não nos chateia.
RG: -O que chateia vocês?
MM: -Aquele narrador brasileiro que parecia estar embriagado chamando a gente de castor.

RG: -Mas por fim... Por que atravessar a pista?
MM: -Estava pagando uma aposta.
RG: Aposta?
MM: -Sim... Apostei com minha esposa que atravessava a pista mais rápido que uma McLaren. E ganhei.
RG: -Aposta arriscada... Se perdesse estava ferrado.
MM: -Sim... Mas ainda assim estaria melhor que se perdesse e tivesse de fazer um acordo com ela...
RG: -E qual era o acordo?
MM: -Ela queria ver o histórico de navegação do meu computador, a senha do meu facebook e ser adicionada nos meus grupos de whatzap: o Playmarmota, o Xvideosmarmota e o Esquilas_safadas... Não me olha com esta cara não... Esquilo é bicho esquisito, mas as fêmeas deles são bem jeitosinhas...

9 de jun de 2015

Lado B do GP. Até corrida boa tem...

Corrida no Canadá e nunca se espera algo chato.
Mas tudo quase vai por água abaixo quando cantam o hino nacional.
Este ano, uma soprano forçou a tirar o som do streaming antes da prova... Aquilo é uma tortura!
Oh! Canadáááááá.

Saímos do stream e fomos para a transmissão oficial do país.
Ficamos felizes por não ter Galvão.
Felicidade efêmera...
Era o Luis Roberto que não para de falar um segundo sequer – coisas nem sempre relativas à corrida – e sem o som ambiente da pista.
F1 sem som de motor (ainda que baixo, rouco e xoxo) é igual ao lixo da FE.
Tomanocú rede globo.

Rádio do Alonso no meio da prova.
 “-Você está gastando muito combustível”.
Resposta do piloto.
-Isto é a única coisa que este motor faz...


Kimi resolveu fazer zerinhos no meio da corrida.
-Tava chato, resolvi dar um espetáculo para o povo que veio assistir...

Entra em cena uma marmota.
Perrigo para o bichinho...
Logo em seguida o rádio da MacLaren nos dois carros.
“-Alonso and Button, the marmota is faster than you...”
Não demorou muito e os dois abandonaram a corrida.
A marmota chegou em último... Mas chegou.

O rádio da Mercedes foi bacana também.
-Nico, seus freios estão críticos. Resfrie-os.
Tradução: “Não ataque o Lewis, estamos em divida com ele...”
Ai manda para o Lewis: “-O Nico está tranquilo em relação ao combustível, mas já falamos pra ele dos freios... Relaxa ai e não faz burrada. A gente vai tentar não fazer...”.

Bottas e Kimi chegaram à frente de seus companheiros de equipe.
Fizeram boas corridas os dois, mas... Massa e Vettel foram muito melhores.
Isto prova que nem sempre quem chega à frente foi o melhor.
Chupa Hamilton e Rosberg.

7 de jun de 2015

F1 2015: Canadá: - Foi bom... Sempre é

Disse o grande Luis Fernando Ramos, o Ico, que o sistema de punição da F1 é estúpido.
Está dito, nada mais precisa ser acrescentado.
Se o tal grupo para a estratégico da categoria quiser realmente salvar algo, que repensem estas punições por troca de motor, por qualquer acidente... Enfim.
Mais esporte e menos business.

Porém, ver Vettel e Massa largando do fim do grid, principalmente no Canadá é sempre bem bom.
Ainda mais neste período de dominação extrema dos carros da Mercedes (seus pilotos são limitados, medianos e chatos).
Sem chances de vencer por razões naturais (só na base da sorte) ter os dois vindo de trás em corridas de recuperação é garantia de ultrapassagens e alguma emoção.
E foi o que aconteceu.
Até pelo melhor equipamento dos dois em relação aos outros.

A largada, como tem acontecido em todas as etapas, foi limpa.
O que decepciona um pouco.
Mas não se trata de uma melhora do nível de pilotagem... Talvez medo de punições estúpidas. Aposto nisto.

As ultrapassagens de meio de pelotão foram o que sempre se espera.
Por sorte, a pista canadense faz com que elas não pareçam tapo artificiais.
Foram - de certa forma - divertidas.
Mas divertido mesmo foi ver uma marmota, esquilo, rato ou qualquer coisa assim cruzar a pista e ser mais rápida que os carros da McLaren.

E ouvir o rádio de Nico Rosberg falando sobre os freios em estado crítico e pedindo para que o piloto os resfriasse.
A mesma mensagem não foi dada ao #44 cone, o que dá a entender que não era para atacar a prima-dona da equipe.
Seriam ecos das zurradas de Mônaco?
Não duvido.

Por fim, foi o que se esperava da prova.
Recuperação fantástica de Massa e Vettel e muitas ultrapassagens no meio do pelotão.
Vitória dos cones da Mercedes nem foi notada de tão esperada.
Eles que se danem.
Enquanto houver corridas em pistas bacanas e divertidas como Montreal, que vençam os chatos e ruins.
Continuaremos vendo assim mesmo.
Salut Montreal.
Viva o Canadá! (Apesar do hino chato.)

5 de jun de 2015

Comédias da vida real na F1 #16: Canadá 1991

Semana do GP do Canadá é sempre especial.
Para nós porque vamos assistir uma corrida que passa longe de ser entediante.
E para os canadenses por ser um dos poucos eventos que eles têm sem estar cobertos por quilos de roupas e um frio miserável.
Quem já assistiu a corrida in loco diz que o clima de festa é sensacional.
E a corrida também já proporcionou suas comédias como quando o asfalto começou a se desfazer sob as rodas dos carros, mas a história aqui é outra e seus protagonistas podem ser considerados dois dos maiores comediantes da F1.
Por motivos diferentes, óbvio.

O primeiro: Nigel Mansell.
Naquele ano de 1991, apesar da vitória de Ayrton Senna e sua McLaren, os ventos começavam a sopra para cima da categoria um novo domínio.
A Williams e seus carros de “outro mundo” davam mostras de seu poderio em algumas corridas e seus pilotos – além do inglês bigodudo, o italiano Ricardo Patrese – também tiveram seus dias de glória naquele campeonato.
No Canadá, em particular, o domínio foi grande.
Patrese fez a pole e Mansell fechou a primeira fila, mas logo na largada as coisas se inverteram e o inglês sumiu na frente abrindo uma vantagem monstruosa.

O segundo: Nelson Piquet.
O brasileiro havia se classificado apenas na oitava posição, fez uma largada discreta, mas logo foi se recuperando como podia.
Ultrapassou o companheiro de equipe – o também brasileiro Roberto Pupo Moreno – contou com problemas e abandonos de Prost e Alesi, da Ferrari; o péssimo rendimento de Gerard Berger e Ayrton Senna, da McLaren e com o infortúnio de Patrese, que perdeu rendimento, ficou atrasado nos boxes e caiu para o fundão.
Piquet já era o segundo colocado e estava satisfeito com a sorte daquele dia.

Mas a sua frente ia Mansell, o maior para raios de cagada da época.
E ia muito a frente... Mais de cinquenta segundos de vantagem.
Tanto que ao abrir a última volta já começou a acenar para o público e ao contornar o grampo de Montreal e entrar na grande reta que leva a chicane antes da linha de chegada, seu carro começa a ficar lento e um pouco mais a frente para.
Inacreditável!
Um problema aquela altura da corrida só podia ser muito azar!
Mas não era... Na comemoração antecipada, Mansell havia esbarrado em alguns botões e desligado seu carro. Pura burrice britânica pré Lewis Hamilton.
Piquet, já conformado com o segundo lugar, avista a Williams número 5 e – segundo o próprio – começa a rir.
Pelo rádio a equipe avisa que ele é o “P1” e que vai vencer e pede que ele confirme ter entendido a mensagem.
Reposta: gargalhadas, muitas gargalhadas que entraram pela cerimônia do pódio e durou por muito tempo depois...
O contraste com a desolação de Nigel Mansell chega a ser comovente.
A corrida ficou marcada - também - como a última vitória de Nelson Piquet na F1.
Tinha que ser em cima de Mansell, e tinha de ser de forma especial.
Tinha mesmo de ser uma comédia.

4 de jun de 2015

Fiscais da bunda alheia

Filme 1.
A menina sentada com um violão em frente a um espelho diz: “-Depois de  muito ensaio os cabelos sofrem...”.
Uma voz entra em off e diz: “-Use o creme de pentear XYZ e veja a diferença.”.
Volta a menina dizendo: “-Enrole uma meia em cada mexa e quando tirar tenho cachos definidos!”.
Após apresentar a ação de enrolar e desenrolar as meias dos cabelos, ela completa.
“-Pronto! Cachos definidos e agora eu já tenho meu primeiro hit!” – diz balançando a cabeça para mostrar o movimento das madeixas.
Porque – aparentemente - cabelo é a parte mais importante do processo de composição musical.

Filme 2.
Atriz que ultimamente tem ido ao ar com um programa que traz convidados diversos abordando o tema “amor e sexo” enaltece a eficácia de um alimento lácteo de uma marca famosa que promete regular o intestino e fazer com que a pessoa tenha uma eficiência maior ao evacuar.
Ou seja: promete ajudar a cagar melhor e mais fácil.
Na última cena do filmete, após ingerir o purgante, a moça – muito bonita por sinal – deixa o set de filmagem por uma porta, mas volta e apenas em um close de sua cabeça ela sorri e diz: “-Agora estou pronta para namorar!”.
Cada qual tem a sua fantasia e tara, mas é impossível não ficar tentando imaginar o que a moça vai fazer com o namorado...

Sentido? Para que? Conteúdo? Uai... Já mostra o nome do produto, o que ele faz. Tá bom. O resto ninguém presta atenção.
É uma porcaria? Claro! Mas deixa passar.
Então uma empresa de perfumes, o Boticário, apresenta uma propaganda para o dia dos namorados, de muito bom gosto e de uma delicadeza impar em que – além de mostrar a marca e os produtos – exalta o sentimento mais nobre, o amor, com casais heteros e casais gays retratados da mesma forma respeitosa e nem um pouco caricata.
Ai não pode... Uma onda de indignação (de fancaria) se levanta e pede até boicote à marca.
Ou seja: fazer comercial lixo, sem sentido tudo bem...  Caprichar no filme, na mensagem e de quebra mostrar respeito, não.
Ah! Estes fiscais da bunda alheia... Cada dia mais dão mostras de que a humanidade caminha a passos largos e rápidos para dar errado em sua existência.

3 de jun de 2015

Bye bye Blatter

Joseph "Sepp" Blatter arregou.
O presidente recém-reeleito da FIFA sucumbiu à onda de investigações que levou a prisão alguns presidentes e ex-presidentes de federações, empresários do ramo esportivo e marketing esportivo.
Se agora o futebol entra nos eixos? Deixa de ser chato e previsível?
Duvido... Tal qual aquele ser mitológico do qual não me lembro do nome, corta-se uma cabeça e outras aparecem no lugar.

Mas não é por isto que se pode sonhar... Para quem gosta de futebol, claro. Particularmente quero que se exploda.
Mas aqui algumas coisas que o próximo presidente da FIFA pode fazer – com algumas canetadas - para salvar o esporte bretão da extrema chatice vigente.

Acabar com nomes compostos dos jogadores.
Aberrações como Julio Cincinati, Pedro Aleixo, Reinaldo Burgos, Lucio Vinatiéri teriam fim. Nomes pomposos em jogadores ruins e supervalorizados.

A volta dos apelidos.
O fim dos nomes compostos abriria espaço para os apelidos.
Chulé, Bigorrilho, Beronha, Dirran (que é uma corruptela para Cu de Rã, bem como o quase homônimo Difran). Quem não se lembra do grande Walter Minhoca que jogou no Flamengo?

Mudar na mecânica dos resultados.
Zero a zero sem gols elimina os dois times... Da face da terra.
Um a zero com gol no primeiro tempo leva um ponto só.
Goleada passa a ser considerada apenas após os 5 a zero. Até quatro não mais.
Tomar de sete passa a ser chamado de "brasileirada".

Zagueiro tem que ter nome acabado em superlativo “ao” ou alguma ameaça.
Chicão, Paulão, Jucão, Pedro Estraga Perna, Jorge Mata-um...
Estes impõe respeito... Nada de Alexandre Rosas (quá quá quá) ou zagueiros que postam fotinhas fazendo careta em redes sociais afrescalhadas dizendo que escolheu esperar para perder a virgindade.
Aliás, se fizesse dupla com um destes zagueiros citados na abertura deste tópico, já teriam perdido a virgindade. De uma forma ou de outra.

O fim da mística de que o camisa dez é o cara mais inteligente do time...
Acabar com esta mentira é tremendamente necessário.
E a prova cabal de que isto não passa de uma falácia é o Pelé.
Nunca houve um camisa dez melhor que ele e veja só quanta merda o rei do futebol fala e anda fazendo.

Proteger o craque.
O cara pega a bola, dá um chapéu, uma caneta, drible da vaca, uma carretilha e faz o gol de bicicleta ou de bunda... Logo aparecem uns vinte falando que aquilo é desrespeito entre profissionais.
A FIFA tem que baixar uma lei contra estes estorvos. Reclamou do craque ou bateu nele: fuzilamento em campo mesmo.

Fim das torcidas internacionais.
Não sei se é este o nome, mas também é necessário.
Dar choques elétricos de 220 v na molecada que não sabe sequer a cor dos times do seu estado ou cidade, mas fica por ai falando “meu Barcelona”, “meu milam”, “meu chaquitar donest”, “meu chalque zero quatro”.

Acabar com a geração presteichon que acha que manja pracaraio de futebol, mas nunca jogou bola em rua de paralelepípedo e perdeu o tampo do dedão ou as unhas chutando o chão.

A proibição de comentaristas "sabe tudo" em transmissão de jogos.
O babacão fica lá sentadão na cabine comendo uns pasteis e cagando regra sobre o que o treinador tem que fazer para melhorar o time em campo, como passe de mágica.
Se o comentarista em questão for o Neto então, a necessidade de prisão é inquestionável, digassidipassagi.

Talvez assim o treco volte a ser interessante.

2 de jun de 2015

Não há competição contra as suecas...

O amigo jornalista Marcio Kohara me disse uma vez: “-Se a versão é mais interessante que o fato, publique-se a versão”. – e também – “-Jornalismo é saber separar o joio do trigo... E publicar o joio.”
Seguindo estes sábios conselhos, eis aqui uma versão que tem tudo para ser joio...

O ano era 1975 e o campeonato era o europeu de F3.
A corrida era no circuito de Anderstop, na Suécia, preliminar da prova de F1 daquele ano.
A equipe era a March, que também tinha seu braço na F1, oficialmente, seus pilotos para a F3 daquele ano eram o sueco Gunnar Nilsson e o brasileiro Alex Dias Ribeiro, provavelmente o primeiro “Atleta de Cristo” e que um dia correria com a inscrição “Jesus saves” na carroceria de seu carro.

Gunnar Nilsson disputava a liderança da prova com o também sueco Connie Anderson, que pilotava um carro não oficial da mesma equipe March.
Atrás dos dois vinha Alex, que por conta de um pneu furado e um trabalho de boxes nos moldes da época (bem mais lento...) era retardatário em uma volta.
Restava ao brasileiro apenas tentar dar a volta mais rápida da prova, porém, no décimo quinto giro, Alex perde o controle do carro e acerta Nilsson, tirando-o da disputa pela vitória e também da prova.
Gunnar fica irado, porém... O que fazer? Ao fim do campeonato ainda se sagraria o campeão.

Ao voltar para a sede da equipe algum tempo depois, Alex, meio desconsertado, pensa que se o trabalho na troca dos pneus tivesse sido um pouco mais rápido, não teria voltado naquela posição - logo atrás dos lideres - e resolve perguntar aos mecânicos o porquê pareciam cuidar melhor do carro e das corridas de Gunnar.
-Às vezes parece que vocês gostam um pouco mais do Gunnar Nilson do que de mim... Por quê? – perguntou o piloto brasileiro.
-Sabe Alex, gostamos de você... Sempre simpático, muito educado e nos presenteia sempre com bonitos exemplares da bíblia... Mas o Gunnar traz umas revistas lá da terra dele... – sorriu meio constrangido o mecânico
Talvez por estas histórias é que algum tempo depois surgiu a piada no meio da F1 “Jesus fails to save Alex...”

1 de jun de 2015

Ecos de Mônaco

Mônaco ainda rende.
O clipe oficial da FOM sobre a corrida no principado flagra Lewis Hamilton pedindo para ir aos boxes após a bandeira amarela causada pelo Verstapinho.
Segundo a publicação feita no site Total Race, o motorista da Mercedes #44 ficou com medo de ser atacado na relargada, quando – segundo ele – os pneus já teriam perdido o aquecimento ideal.
Sério?
Só os pneus dele teriam perdido o aquecimento?
E será que ele já tinha assistido uma corrida qualquer em Mônaco antes?
Será que ele alguma vez viu o tape da corrida lá mesmo em 1992?
Ele que se diz tão fã do Senna, será que viu aquela Williams de outro mundo, pneus novos tentando de todas as formas ultrapassar uma McLaren meia boca com pneus gastos durante pelo menos cinco voltas?
A matéria também dá conta de que após voltar à pista e ver que não tinha mais o primeiro lugar da corrida (nem o segundo) Hamilton teria perguntado: “-Mas o que foi que aconteceu?”.
Aparentemente teria recebido pelo rádio a seguinte resposta: “-Ióóóó ióóóó ióóó´”  

Ainda de Mônaco também outra pequena polêmica sobre a falta das tradicionais grid girls em detrimento ao aparecimento naquela prova de grid boys. Ter os caras lá tanto fez como tanto faz... A falta das meninas também passou batido, a não ser pela ala feminista que adora uma polêmica vazia.
Quem deve ter sentido falta realmente foram as próprias grid girls, que não ficam lá de graça e nem só pela própria exposição.
São profissionais pagas – e bem – para estar ali.
A grande argumentação é que é degradante para as mulheres estarem ali apenas como objeto de beleza. Ai coloca-se alguns homens lá e as feministas olham e dizem: “ô lá em casa... benza deus... “.
Tá certo...
Tanto se lutou para mostrar que as mulheres podem fazer tantas coisas quanto podem os homens para no fim, tirar as mulheres de um tipo de trabalho substituindo-as por homens.
Tão de parabéns viu...